O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Luís Montenegro: “Os nossos jovens qualificam-se como nunca, mas cerca de um terço vai para o estrangeiro”

Política
O que está em causa?
"Em busca de uma oportunidade", sublinhou esta tarde Luís Montenegro, novo Primeiro-Ministro, ao discursar na cerimónia de tomada de posse do XXIV Governo Constitucional que se realizou no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Essa alegação sobre os níveis de qualificação e emigração dos jovens portugueses tem fundamento?
© Agência Lusa / João Relvas

Na parte final de um discurso focado na apresentação de objetivos do novo Governo que pretende cumprir a legislatura regular de “quatro anos e meio”, como afirmou hoje Luís Montenegro no Palácio Nacional da Ajuda, o Primeiro-Ministro referiu-se à “juventude“, apontando para a emigração dos jovens qualificados como um “flagelo familiar, social e económico”.

“Não me resigno, não nos conformamos com a situação que vivemos em Portugal. Os nossos jovens qualificam-se como nunca, mas cerca de um terço vai para o estrangeiro em busca de uma oportunidade. Isto é um flagelo familiar, social e económico”, declarou Montenegro, avisando que “não podemos fingir, nem negligenciar esta realidade”.

A alegação sobre “os nossos jovens” tem fundamento?

Começando pelas qualificações, de acordo com os mais recentes dados (até 2022) do Eurostat, serviço de estatística da União Europeia, entre os 25 e os 64 anos de idade, apenas 31,5% da população portuguesa (nessa faixa etária) tem qualificação ao nível do Ensino Superior.

É a 19.ª menor percentagem nesse indicador entre os 27 Estados-membros da União Europeia, a grande distância de países como a Irlanda (53,5%), o Luxemburgo (52,3%) ou a Suécia (48,6%). E abaixo da média da União Europeia que ascende a 34,3%.

No entanto, os dados referentes à população mais jovem, entre os 25 e os 34 anos de idade, demonstram uma diferença significativa entre gerações.

Nessa faixa etária, 44,4% da população portuguesa tem qualificação ao nível do Ensino Superior. Está praticamente a meio da tabela dos 27 Estados-membros da União Europeia, na 14.ª posição. Aliás, ligeiramente acima da média da União Europeia fixada em 42%.

No início desta série estatística, em 2013, apenas 30% da população portuguesa entre os 25 e os 34 anos tinha qualificação ao nível do Ensino Superior. A evolução positiva neste indicador ao longo das últimas décadas é evidente.

Quanto à parte sobre a emigração, baseia-se numa estimativa do Observatório da Emigração que surgiu em destaque num artigo do jornal “Expresso” (edição de 11 de janeiro de 2024) que, por sua vez, foi referido várias vezes durante a campanha para as eleições legislativas, inclusive pelo próprio Montenegro.

“Portugal tem a taxa de emigração mais alta da Europa e uma das maiores do mundo. A vaga contínua de saídas ao longo das últimas décadas engrossou o número de portugueses no estrangeiro, acelerando a perda de população jovem”, informou o jornal. “De acordo com uma estimativa do Observatório da Emigração, 30% dos nascidos em Portugal com idades entre os 15 e os 39 anos deixaram o país em algum momento e vivem atualmente no exterior. São mais de 850 mil”.

________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Fact checks mais recentes