Em período de pré-campanha eleitoral, ainda que toldado pela crise política no PSD-Madeira e respetivo Governo Regional, Luís Montenegro parece estar a acelerar o ritmo de exposição e intervenção: hoje discursou num almoço-debate da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, no Porto, e logo à noite será emitida uma entrevista ao líder do PSD (e da coligação Aliança Democrática) na CNN Portugal.

Referindo-se ao processo de "globalização" que prossegue apesar de um reenquadramento, Montenegro sublinhou que "nós temos necessidade de competir com todas as geografias para atrairmos investimento, para criarmos valor, para fixarmos pessoas, para podermos ter índices de competitividade e de produtividade que nos façam ganhar mercado. Porque sem mercado, não há economia. E sem economia não há os tais meios para as pessoas viverem melhor."

Na perspetiva do candidato a Primeiro-Ministro, o crescimento económico de Portugal não tem sido suficientemente elevado. E "se o ponto de partida é este, um crescimento que fica muito limitado, que não compete verdadeiramente com aqueles que são comparáveis connosco - veja-se no plano europeu, (…) nós temos países que aderiram à União Europeia 20 anos depois de nós que estão hoje, do ponto de vista da sua performance económica e já também do ponto de vista dos instrumentos que dão aos cidadãos para que eles se possam realizar, à nossa frente."

"Nós estamos cada vez mais no fundo da Europa", lamentou Montenegro. "A verdade é que nós do ponto de vista do rendimento per capita estamos na cauda da Europa. E do ponto de vista das perspetivas de ganharmos competição ao nível internacional, estamos muito enfraquecidos. Nós estamos aliás pior hoje do que estávamos no início do século. O rendimento por habitante em Portugal, face à média europeia, é hoje inferior ao que era em 2000. Em 2000, o nosso rendimento por habitante era cerca de 85% da média europeia, hoje é cerca de 78%. Este número não engana".

Estas alegações do líder do PSD têm fundamento?

De acordo com os últimos dados compilados pelo Eurostat, ao nível do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, em Paridades de Poder de Compra (PPC), Portugal estava na 20.ª posição da tabela (entre os 27 Estados-membros) com 79% da média da União Europeia.

Na medida em que apenas a Hungria, Roménia, Croácia, Letónia, Eslováquia, Grécia e Bulgária registam médias inferiores, aceita-se a validade da alegação de que Portugal está "na cauda da Europa" relativamente a este indicador.

Também é verdade que, embora tenha atingido a percentagem mais elevada dos últimos anos (79% da média europeia, tal como em 2019), o facto é que permanece abaixo do nível de 2000.

"No início do século", como referiu Montenegro, o PIB per capita de Portugal, medido em PPC, estava em cerca de 85% da média da União Europeia. Comparando diretamente com 2022, baixou seis pontos percentuais para 79%.

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