O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Luís Montenegro: “No despacho que Pedro Nuno Santos emitiu está lá anotada a necessidade de reforçar a capacidade aeroportuária” do Humberto Delgado

Política
O que está em causa?
Primeiro-Ministro sugeriu esta tarde que fosse distribuído a Pedro Nuno Santos o despacho que o próprio publicou em junho de 2022 e que, segundo Luís Montenegro, previa a necessidade de aumentar a capacidade aeroportuária do Aeroporto Humberto Delgado. É falso: o despacho abandona precisamente esse objetivo.
© Agência Lusa / Miguel A. Lopes

No debate desta tarde na Assembleia da República, um dia depois do anúncio sobre o novo aeroporto de Lisboa, o Primeiro-Ministro respondeu às críticas de Pedro Nuno Santos que voltou a questionar sobre a existência de estudos ou pareceres sobre o reforço do atual aeroporto de Lisboa.

“Para que o assunto fique clarificado”, respondeu o chefe do Executivo, “vou-lhe remeter o memorando que nos foi enviado no dia 3 de maio pela NAV onde está plasmada toda a estratégia de reforço da capacidade aeroportuária do Aeroporto Humberto Delgado. Mas eu pensei que, para si, não era necessário. Sabe porquê? No famoso despacho que proferiu ainda como ministro das Infraestruturas está lá precisamente anotada a necessidade de reforçar essa capacidade. Está escrito. Eu posso-lhe ler”. Se Luís Montenegro tivesse procedido à leitura, no entanto, perceberia de imediato que acabara de se enganar. Afinal, o despacho que Pedro Nuno Santos assinou e que António Costa revogou no dia seguinte não fala dessa necessidade. E até diz que o objetivo é abandonado.

No Despacho n.º 7980-C/2022, de 29 de junho, assinado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, o gabinete definia os “procedimentos relativos ao desenvolvimento da avaliação ambiental estratégica do Plano de Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa”. 

Depois de refletir sobre todas as opções disponíveis, o despacho conclui que “a única solução aeroportuária que responde à exigência de dotar o País e a região de Lisboa de uma infraestrutura aeroportuária moderna com capacidade de crescimento a longo prazo é a construção de um aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete“, a par da “construção do aeroporto complementar do Montijo – solução mais rápida e menos dispendiosa de concretizar”.

Segundo o documento, e em relação à solução dual original (aproveitando o Aeroporto Humberto Delgado e encontrando uma outra infraestrutura aeroportuária para complementar a operação), “é abandonado o objetivo inicial de aumentar a capacidade do Aeroporto Humberto Delgado”. E é-o precisamente “pela dificuldade que se estima em poder obter uma declaração de impacte ambiental que a viabilizasse e pelo ambiente social de rejeição cada vez mais generalizada de um possível aumento do número de movimentos por hora no Aeroporto Humberto Delgado”, pelo que, neste caso, as obras que nele teriam lugar teriam como único objetivo a “melhoria da operacionalidade da infraestrutura, de modo a aumentar a qualidade da experiência dos passageiros, a redução dos atrasos na operação e o incremento do desempenho ambiental do aeroporto”.

Publicado a 29 de junho de 2022, este despacho-rebelde da responsabilidade de Pedro Nuno Santos foi revogado apenas um dia depois.

______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque