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Luís Montenegro diz que foram construídos 32 hospitais privados e zero hospitais públicos em oito anos de Governo. É verdade?

Política
O que está em causa?
O líder dos sociais-democratas já repetiu este número por várias vezes, mas voltou a ele na noite de ontem, num comício quente em Setúbal, onde afirmou que o Governo do PSD conseguiu mais em quatro anos do que os socialistas em oito: "Foram construídos 32 hospitais privados e zero hospitais públicos." Dois problemas na declaração de Luís Montenegro: mistura ampliações com construção; e também houve obras de expansão em hospitais públicos.

No geral, a afirmação de Luís Montenegro é correta: foram mesmo construídos bem mais hospitais privados do que públicos nos últimos anos. O presidente do PSD voltou a dizê-lo ontem à noite, num comício em Setúbal, ao afirmar o seguinte:  “Nos últimos oito anos foram inaugurados 32 hospitais no setor privado da saúde, ao mesmo tempo que foram inaugurados zero no setor público pela mão do Partido Socialista. Tanta vontade de diabolizar os quatro anos [do governo PSD/CDS] de recuperação da nossa autonomia e da nossa credibilidade (…) naqueles quatro anos fomos capazes de inaugurar sete novos hospitais.”

Hospitais privados – 2012-2015-2020

Em 2012, primeiro ano de governação completa do Governo de Pedro Passos Coelho, havia em Portugal, segundo o relatório “Estatísticas da Saúde” do INE, 107 hospitais privados. Quatro anos depois, em 2015, eram 111, mais quatro. Nesse ano, surgiram também os primeiros quatros hospitais em Parceria Público-Privada (PPP).

Já em 2020, último ano com dados disponíveis e oito anos depois do início da governação de António Costa, o número de hospitais privados tinha crescido para os 128, de acordo com os mesmos dados do INE e ainda da APHP.

Contas feitas, o crescimento foi de 17 novos hospitais, um número que fica bastante longe do apontado por Luís Montenegro.

Hospitais públicos – 2012-2015-2020

No caso dos hospitais públicos, as contas são mais simples: isto porque, em 2012, havia no país 122 unidades de saúde pública, um número que não só não aumentou até 2015 como diminuiu significativamente, para os 110 hospitais (o que não quer dizer que não tenham sido construídas unidades hospitalares). Entre 2015 e 2020, nenhuma mudança neste valor, tal como argumenta Luís Montenegro.

Sendo assim, como chegou o líder dos sociais-democratas aos 32 novos hospitais privados?

Teve em conta o Hospital da Luz em Lisboa, que sofreu apenas um aumento e uma modernização mas que já estava aberto desde 2007, ou, por exemplo, o de Oeiras, que também conta com um edifício novo fruto de remodelações. Há ainda o exemplo do Hospital CUF Descobertas, que sofreu uma expansão e a abertura de um novo edifício; o Hospital CUF Sintra, cuja expansão permitiu a criação de novas áreas clínicas que permitem aumentar a oferta e diferenciação dos serviços de saúde na região; há também o caso do antigo Hospital Privado de Guimarães, que passou apenas a ser explorado pela Hospital da Luz Guimarães, S.A..

Se Montenegro quisesse ser preciso, teria que ter referido que também nos hospitais públicos houve “inaugurações”, “expansões” e “remodelações”, nomeadamente no Hospital Terras do Infante, em Lagos, ou no Hospital de Gaia, com um novo serviço de internamento, ou até o Hospital de Braga, que deixou de funcionar como PPP em 2019, passando para a esfera pública.

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Avaliação do Polígrafo:

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