Em 4 Abril de 2018, um dia antes de abandonar o Parlamento, na sequência da eleição de Rui Rio como líder do PSD, Luís Montenegro deu uma entrevista à Agência Lusa em que abordou a vida interna do partido, o seu futuro a curto e a médio prazo e o papel que pensava desempenhar daí para a frente.

Confrontado com a possibilidade de passar à oposição interna ao líder, Montenegro afastou-a por completo. “Toda a normalidade vai imperar na vida interna do PSD”, afirmou. E reforçou: o seu objetivo e o dos restantes militantes seria “criar condições para ver o nosso líder, o nosso projeto, o nosso partido, ganhar as eleições.” Isto porque, garantiu, “o meu desejo é ver o Dr. Rui Rio primeiro-ministro dentro de um ano e meio”.

Seria “um erro colossal colocar sequer a hipótese” de Rui Rio não chegar às eleições, afirmou Rui Rio em 4 Abril de 2018, quando se despediu do Parlamento.

Ainda sobre a sua postura daí em diante, Montenegro ressalvou que esteve “sempre” ao lado dos líderes, “mesmo com aqueles com os quais concordava menos”. Daí que, concluiu, seria “um erro colossal colocar sequer a hipótese” de Rui Rio não chegar às eleições.

Passado menos de um ano, e sem que Rui Rio tenha disputado qualquer eleição – a primeira está marcada para maio, nas Europeias – o ex-líder parlamentar deu esta tarde no CCB o primeiro passo para a conquista da liderança, numa conferência de imprensa em que se dirigiu diretamente ao líder: “Se tem mesmo Portugal à frente de tudo, mostre coragem e não hesite em marcar estas eleições internas. Não tenha medo do confronto, não se refugie atrás de questões formais, o tempo é de respeito pessoal, mas de confronto político entre duas estratégias que são distintas.” Antes disso, a 21 de fevereiro de 2018, na rubrica 21.ª Hora, na TVI, Montenegro também afirmou: “Nunca farei a Rio o que Costa fez a Seguro”, numa referência à forma como o actual primeiro-ministro desafiou António José Seguro a disputar a liderança do PS sem que o tenha deixado ir a eleições legislativas.

Montenegro, que já foi acusado por Isabel Meirelles, vice-presidente de Rui Rio, de estar a planear “um golpe de Estado” no partido, apoia-se nos números das sondagens, quase sempre abaixo dos 25% das intenções de voto, para justificar a sua mudança de estratégia. "Se nada for feito”, sublinhou, “o PSD corre o risco de ter uma derrota humilhante". Além disso, o antigo líder parlamentar argumenta que em vez de unir o partido depois de ser eleito, Rui Rio terá feito exatamente o contrário, provocando divergências aparentemente insanáveis entre as várias tendências.

Rui Rio ainda não reagiu à tomada de posição de Montenegro. Neste momento tem duas opções: ou marca imediatamente eleições, ou socorre-se dos estatutos para se manter na liderança. Nesse cenário, para haver mudança de líder, Montenegro e os seus apoiantes teriam de apresentar uma moção de censura à direção num Conselho Nacional convocado especificamente para esse efeito. Os estatutos estabelecem que precisariam de maioria absoluta entre os conselheiros.

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