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Luís Montenegro criticou antigo Governo por justificar incêndios com temperaturas altas, mas fez o mesmo como Primeiro-Ministro?

Política
O que está em causa?
Em 2022, o então presidente do PSD acusava o Governo de distrair os portugueses dos verdadeiros problemas quando associava os incêndios a fenómenos "científicos e meteorológicos". Agora, Luís Montenegro, o Primeiro-Ministro, não consegue fugir à mesma justificação e culpa as temperaturas, a baixa humidade e os ventos fortes.
© Filipe Amorim/Lusa

O Primeiro-Ministro não está a conseguir escapar ao escrutínio durante a fase mais critícia dos incêndios em Portugal. Declarações de Luís Montenegro na oposiçãol, há exatamente três anos, a 18 de agosto de 2022, comparam com o agora Governante.

Nessa altura, António Costa era Primeiro-Ministro e enfrentara, em 2017, um dos piores anos de incêndios de sempre no país, Montenegro acusava o Executivo de “distrair as pessoas” e “sacudir responsabilidades”.

“Luís Montenegro acusa o Governo de ‘manobra de distração’ ao remeter o problema dos incêndios para o lado científico e meteorológico, em vez de reconhecer o fracasso quer na prevenção quer na coordenação do combate aos fogos florestais”, lê-se no site do PSD. As declarações do então presidente do PSD foram as seguintes: “Não me agrada nada que nos andem a vender que estamos num ano atípico, com vagas de calor muito acentuadas. Nós sabemos todos que isso acontece e já sabíamos isso antes. Não vale a pena andarem-nos a distrair.”

Montenegro acusou ainda, no mesmo sentido, o ex-ministro da Administração Interna (MAI), José Luís Carneiro, de querer remeter o assunto para o “lado científico e do clima”. “Há muita coisa que o Governo não fez, das medidas que podiam ter sido tomadas: a implementação da reforma da floresta, acções que visam prevenir, ter meios de combate. Há medidas que só cabe ao poder Executivo tomar. O Governo não pode sacudir responsabilidades“, completou.

As palavras contrastam com o que diz agora o Primeiro-Ministro, confrontado com uma área ardida significativa. A 31 de julho, em Valpaços, Montenegro garantiu que havia “meios” , mas que “nas situações de crise é sempre muito difícil fazer essa gestão” uma vez que o país não tem “capacidade ilimitada”.

“Estejam cientes de que, com as elevadas temperaturas que temos tido, com os níveis baixos de humidade, com os ventos fortes que, muitas vezes, são os responsáveis pela imprevisibilidade do comportamento dos próprios fogos e da sua propagação, o que é necessário é que não haja comportamentos de risco, e que todos respeitem e façam esse esforço”, disse ainda.

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