Além de Luís Filipe Vieira, também o seu filho Tiago Vieira e os empresários José António dos Santos - conhecido como o "rei dos frangos" - e Bruno Macedo foram detidos na quarta-feira, dia 7 de julho. Em causa estão suspeitas de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento.

"No âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal cuja investigação se encontra a cargo da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e conta com a estreita colaboração da Polícia de Segurança Pública (PSP), foram cumpridos cerca de 45 mandados de busca, abrangendo instalações de sociedades, domicílios, escritórios de advogados e uma instituição bancária. Estas buscas decorrem nas áreas de Lisboa, Torres Vedras e Braga", informou ontem o DCIAP.

"No decurso das diligências foram detidas quatro pessoas, dois empresários, um agente desportivo e um dirigente desportivo. Detenções efetuadas atendendo aos indícios já recolhidos, com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e a prevenir a consumação de atuações suspeitas em curso", acrescentou o DCIAP em comunicado. "Os detidos serão presentes, previsivelmente no decurso do dia de amanhã, a primeiro interrogatório judicial com vista à aplicação, considerando a gravidade dos crimes e as exigências cautelares, de medidas de coação diferentes do termo de identidade e residência".

"No processo investigam-se negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades. Em causa estão factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente e suscetíveis de integrarem a prática, entre outros, de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento", especificou.

Reagindo à notícia da detenção de Vieira, em publicação no Twitter destaca-se que "pela primeira vez na História, o presidente de um dos três grandes foi detido enquanto estava em funções". É mesmo inédito?

Ao contrário do que se alega no tweet em causa, porém, há vários exemplos de presidentes dos três principais clubes de futebol (tendo em conta o número de troféus conquistados) em Portugal - Sport Lisboa e Benfica (SLB), Futebol Clube do Porto (FCP) e Sporting Clube de Portugal (SCP), por ordem alfabética - que foram detidos pelas autoridades, mas apenas um enquanto ainda exercia funções no clube.

Começando pelo SLB, o caso mais mediático é o de João Vale e Azevedo que foi detido em fevereiro de 2001, na sequência de buscas ao seu escritório. Em causa estava a transferência de Sergey Ovchinnikov, guarda-redes russo que assinou pelo Benfica em 1998, através da qual o presidente do SLB se apropriou de 650 mil euros para comprar um iate. Nesse caso, Vale e Azevedo acabou por ser condenado a seis anos de prisão.

Nos anos seguintes também foi condenado várias vezes por outros crimes, nomeadamente falsificação de documentos e burla agravada. Contudo, as detenções de Vale e Azevedo ocorreram após a sua saída da presidência do SLB, em 2000.

Manuel Vilarinho e Manuel Damásio são outros antigos presidentes do SLB que foram detidos, muitos anos depois de terem deixado o cargo no clube. Presidente do SLB entre 2000 e 2003, Vilarinho foi detido em 2014 por "coação e resistência a agente da autoridade", durante uma fiscalização de trânsito em Lisboa na qual acusou uma taxa de álcool superior ao limite legal, mas inferior ao limite para ser considerado crime. Por sua vez, Damásio foi detido em 2016 por suspeitas de branqueamento de capitais e tráfico de influências.

Quanto ao SCP, há dois casos de ex-presidentes detidos, após terem cessado funções no clube lisboeta. O mais recente e mediático é o caso de Bruno de Carvalho, detido no dia 12 de novembro de 2018 por suspeitas de ser o mandante do ataque à Academia de Alcochete a 15 de maio do mesmo ano. No entanto, Carvalho tinha sido destituído em Assembleia Geral a 24 de junho, pelo que já não estava em funções no momento da detenção. Em 28 de maio de 2020 acabou por ser absolvido de todos os crimes que lhe eram imputados.

Em 2005, Jorge Gonçalves, empresário luso-angolano e presidente do SCP entre 1988 e 1989, foi preso em Luanda, capital de Angola. Antes disso esteve detido em Portugal, mas fugiu para o continente africano e nunca chegou a ser julgado.

O único caso de um presidente em funções detido é o de Jorge Nuno Pinto da Costa que, no dia 3 de dezembro de 2004, foi detido em Gondomar. Após não ter comparecido para depor no âmbito do processo "Apito Dourado", a Polícia Judiciária emitiu um mandado de captura.

O presidente do FCP apresentou-se voluntariamente no Tribunal de Gondomar, onde lhe foi dada ordem de prisão. A 15 de setembro de 2008, porém, o Tribunal da Relação do Porto condenou o Estado a pagar uma indemnização de 20 mil euros a Pinto da Costa por detenção ilegal. É presidente do FCP desde 1982.

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