O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Lucília Gago na RTP: “Ursula von der Leyen e Pedro Sánchez” continuaram a “exercer as suas funções” ao contrário de António Costa

Política
O que está em causa?
A procuradora-geral da República esteve ontem à noite na RTP para a sua primeira entrevista desde outubro de 2018, mês em que assumiu funções. Lucília Gago recusou assumir responsabilidades pela demissão do ex-Primeiro-Ministro António Costa e deu mesmo a entender que essa foi uma escolha pessoal, uma vez que tanto Ursula von der Leyen como Pedro Sánchez, por exemplo, se mantiveram em funções perante casos semelhantes. É verdade?
© José Sena Goulão/Lusa

“É evidente que não me sinto responsável pela demissão do Primeiro-Ministro”. A declaração foi uma das mais fortes da entrevista de ontem à noite que Lucília Gago, procuradora-geral da República, deu à RTP. Segundo Gago, o que Costa fez foi uma “avaliação pessoal e política”, sendo que “poderia continuar a exercer as suas funções” como, exemplificou, aconteceu com Ursula von der Leyen e com Pedro Sánchez. “Não é automático que a instauração de uma investigação tenha como consequência uma demissão”, defendeu ainda.

Sendo certo que tanto Von der Leyen como Sánchez passaram por períodos críticos no mandato, a comparação não pode ser classificada como inteiramente verdadeira.

Sim, Von der Leyen está a ser investigada pela procuradoria europeia na sequência do “Pfizergate”, uma investigação que, segundo o “Politico“, quer apurar se existiu “interferência em funções públicas, destruição de SMS, corrupção e conflito de interesses” nas negociações de vacinas entre a presidente da Comissão Europeia e o CEO da Pfizer. Von der Leyen não ponderou em momento algum abandonar o cargo apesar da investigação, mas também não foi, ainda, acusada da prática de qualquer crime.

O caso de Sánchez é ligeiramente menos comparável ao de Costa, uma vez que a investigação levada a cabo pela justiça espanhol não o envolveu diretamente, mas sim a sua mulher, Begoña Gómez. A investigação decorre desde abril e Gómez já foi ouvida em tribunal por suspeitas de tráfico de influências. Cinco dias depois de ser conhecido o teor das acusações, o presidente do Governo espanhol foi claro: “Não me demito. Assumo a decisão de continuar com mais força se possível. Este não é o destino de um dirigente particular. Trata-se de decidir que tipo de sociedade queremos ser.”

_____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque