Fazendo referência às eleições autárquicas de 2025 em Almada, um recente tweet sublinha que “o único partido a ter propostas adequadas e concretas para resolver o problema da água em Almada” e que esse partido seria o Livre.
Ressalva depois, em forma de “nota”, que “os restantes programas [eleitorais], incluindo o do PS, claro, continham apenas um conjunto de palavras vagas“.
Esta alegação tem fundamento?
Aplica-se a alguns partidos, mas não a todos, pelo que a alegação é falsa.
Aliás, importa desde logo salientar que o tweet omite o facto de o Livre ter concorrido às eleições autárquicas de 2025 em coligação com o Bloco de Esquerda no concelho de Almada. A imagem que se exibe do programa eleitoral da coligação “Almada em Comum” foi manipulada para esconder o símbolo do Bloco de Esquerda.
Ou seja, as propostas em causa nem sequer são exclusivamente do partido Livre, mas foram apresentadas em conjunto com o Bloco de Esquerda.
De qualquer modo, o programa dedica mais de uma página a questões relacionadas com a gestão da água no concelho. Destaque para as propostas de “reverter os aumentos significativos no preço da água, requalificar a infraestrutura de abastecimento de água e saneamento, reforçar o investimento nos Serviços de Manutenção da Água e Saneamento (SMAS) e melhorar a gestão das águas residuais”.
Por seu lado, o PS, que venceu essas autárquicas e reelegeu Inês de Medeiros como presidente da Câmara Municipal de Almada, apresentou um programa com uma única proposta referente ao tratamento de águas: “Limpeza de linhas de água, coletores fluviais e bacias de retenção.”
Também o PSD apenas incluiu uma medida no seu programa eleitoral sobre esta matéria, na forma de investimento “na renovação progressiva da rede de água e saneamento de Almada”.
Quanto ao PAN, apresentou duas propostas (na secção de Ambiente e Sustentabilidade) neste sentido. A primeira consistia numa “reutilização de águas cinzentas e tratadas para rega e limpeza urbana”, pretendendo limitar o desperdício na região. A segunda era mais ambiciosa: “Implementar um programa integrado de gestão sustentável da água no concelho, incluindo modernização da rede de distribuição para reduzir perdas, instalação de sistemas de recolha e reutilização de águas pluviais em edifícios públicos, promoção de campanhas de sensibilização para o uso eficiente da água e monitorização contínua da qualidade hídrica”.
No que respeita ao Chega, abordou a questão sob uma perspetiva de reaproveitamento dos recursos. Apresentou uma única proposta que visava o aproveitamento de águas fluviais para “implementar sistemas de rega automática e eco eficiente” em jardins municipais.
Já o partido Iniciativa Liberal (IL), verifica-se que propôs várias medidas concretas. Os liberais focaram-se em evitar o desperdício e prometeram identificar e reparar pontos de fuga, “reduzindo perdas de água e custos de operação”. O IL sugeriu também a “reutilização de águas fluviais para usos não potáveis”, de forma a diminuir a “dependência da rede pública”. O partido pretendia ainda modernizar a rede de abastecimento, renovando-a com a “integração de tecnologias inteligentes”.
Por fim, a CDU apresentou várias promessas eleitorais tão ou mais concretas do que as do Livre/Bloco de Esquerda. Começando, mais uma vez, pelo objetivo de reduzir o “aumento de preços do consumo” da água. Desde um reforço ao investimento nos SMAS à promessa de que se manterão na esfera pública e sob o controlo da autarquia, o programa comunista é o mais extenso na abordagem do tema. Prevê que seja “retomada a execução gradual do Plano Estratégico de Abastecimento de Água e do Plano Estratégico de Drenagem de Águas Residuais e Pluviais do Concelho de Almada”, assim como a “criação do Sistema Intermunicipal de Abastecimento de Água em alta, pela Associação Intermunicipal de Abastecimento de Água da Região de Setúbal”.
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Avaliação do Polígrafo:


