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Lista do PS às Europeias inclui deputados “eleitos há dois meses” e um “deles até encaminhado para Presidente da Assembleia da República”?

União Europeia
O que está em causa?
As listas dos partidos às Eleições Europeias continuam a ser escrutinadas nas redes sociais: desta vez, os candidatos do Partido Socialista são acusados de utilizar os cargos no Parlamento português como "trampolim" para a Europa.
© Miguel A. Lopes/Lusa

Chamam-lhes “trampolins” e definem-nos como uma forma de utilizar certos cargos políticos para chegar a outros. Neste caso, acusam-se deputados socialistas, eleitos há dois meses, de integrar a lista do PS às eleições europeias. “Um deles até encaminhado para Presidente da Assembleia da República”, destaca-se num “tweet” partilhado na última segunda-feira, numa altura em que falta pouco mais de um mês para o sufrágio. “Hoje, a própria cabeça de lista dá a entender que não vai terminar o mandato de eurodeputada para ser candidata a Lisboa”. Confirmam-se as acusações?

Sim. A lista do Partido Socialista, com 21 efetivos e oito suplentes, inclui três deputados eleitos em março deste ano. São os três primeiros lugares: Marta Temido, Francisco Assis e Ana Catarina Mendes.

Em outubro de 2023, a antiga ministra da Saúde falou pela primeira vez sobre uma possível candidatura à Câmara Municipal de Lisboa (CML). Numa entrevista ao jornal “Expresso“, Temido assumiu que “gostava de ser autarca” e que “a pulsão da vida das pessoas no dia-a-dia” era uma “dimensão” que a atraía. Alguns dirigentes socialistas foram dando o seu aval e o nome ficou consolidado. Mas então vieram as eleições de 10 de março. E a preparação para as europeias.

Temido foi eleita pelo círculo eleitoral de Lisboa e, a 23 de abril, o seu nome encabeçava a lista oficial do PS, aprovada naquele dia pela Comissão Política Nacional, às eleições europeias de 9 de junho. Em declarações aos jornalistas, na última segunda-feira, a ex-ministra admitiu uma “sedução” autárquica, mas, ao contrário do que aponta o “tweet”, não deu a entender que poderia abandonar a Europa para ser candidata a Lisboa.

Se alguma coisa se pode retirar das palavras da socialista é que a própria não dá garantias sobre nada. À pergunta sobre se o mandato seria para cumprir até ao fim, Temido respondeu: “Não tenho qualquer plano relativamente a isso. O projeto europeu é demasiado importante e precisa de ser, de alguma forma, rentabilizado em termos da presença de um eurodeputado para se pensar nessa possibilidade.” A uma pergunta mais específica sobre Lisboa, Temido esclareceu: “O que eu referi a esse propósito foi que entendia – e continuo a entender – que na vida das cidades se jogam muitos dos desafios do nosso tempo. Obviamente, tendo também um passado de funções executivas, o projeto de liderar uma autarquia tinha para mim alguma sedução. Mas isso não significa mais do que essas palavras querem dizer, é uma apreciação e não um compromisso com um projeto. Compromisso é o que esta equipa – da qual eu sou só transitoriamente a cabeça de lista, porque seremos todos eurodeputados – tem com os portugueses.”

Quanto ao número dois desta lista, Francisco Assis, pode apenas dizer-se que o contrato estabelecido com o atual Governo manda que, daqui a dois anos, Assis volte ao Parlamento nacional para ocupar o cargo de Presidente da Assembleia da República. O ex-eurodeputado (entre 2004 e 2009) foi apontado durante vários dias como o único cabeça-de-lista possível para o PS, mas acabou por secundar Temido.

Em terceiro lugar, Ana Catarina Mendes, primeira socialista eleita por Aveiro que deixara de ter qualquer protagonismo nesta legislatura, sai do Parlamento para Bruxelas sem qualquer cargo pendente à sua espera em Portugal.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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