"1,4 milhões de portugueses não têm médico de família. Sem médico, obter uma simples consulta médica é algo que pode levar meses. As doenças avançam sem diagnóstico sem tratamento. A realidade diz-nos que o pai do SNS atualmente não passa de reles filicídio", escreve o autor de uma publicação no Facebook, partilhada a 9 de junho.

Nesse dia, Marta Temido afirmou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) registou mais 400 mil inscritos, entre 2015 e 2022, que justificam parte do défice de cobertura de médicos de família, e anunciou a contratação de mais clínicos dessa especialidade.

A ministra disse ser “expectável que, até ao início da próxima semana, seja publicado o concurso” para a contratação de recém-especialistas da primeira época de formação de 2022, que inclui a área da medicina geral e familiar, num total de 324 médicos. Marta Temido admitiu, no entanto, que mesmo que fossem todos contratados, ainda existiram portugueses sem médico de família atribuído.

Mas será que neste momento há, de facto, 1,4 milhões de portugueses sem médico de família?

Sim. Os dados mais recentes do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), relativos a maio de 2022, indicam que há 1.364.623 portugueses sem médico de família atribuído e 31.609 utentes sem médico de família mas por opção. Assim, no total, são 1.396.232, ou seja, muito próximo dos 1,4 milhões indicados na publicação sob análise.

Também de acordo com os últimos dados disponíveis, há 10.519.012 utentes inscritos nos cuidados de saúde primários (CSP). Se compararmos com o primeiro ano do Governo de António Costa, havia então 10.057.218 utentes inscritos e, desses, um total de 1.038.155 utentes não tinham médico de família atribuído. Ou seja, atualmente há mais 461.794 utentes inscritos nos cuidados de saúde primários e mais 358.077 sem médico de família.

Na quinta-feira, Marta Temido reconheceu que a “situação é muito assimétrica com um peso especial para aquilo que é o nível de cobertura de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve”. Sublinhou ainda que o Orçamento do Estado (OE) para 2022 inclui compromissos para reter os médicos de família, como mais 60% de vencimento para os médicos que vão trabalhar para agrupamentos de centros de saúde que tenham unidades com cobertura inferior à média nacional, assim como a possibilidade de os médicos que já trabalham nessas unidades transitarem de modelo de equipa clássica de centro de saúde para unidade de saúde familiar.

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