“Eles adoram posar para fotos em frente dessas porcarias que só mostram destruição. Que gente doente!”, afirmou um utilizador do Twitter, no dia 7 de julho. Publicações semelhantes, com as mesmas fotografias, têm sido partilhadas noutras línguas, como inglês e italiano. Algumas referem que a temática dos quadros é "demoníaca".

Mas eram mesmo estas obras que estavam expostas no Museu do Prado, em Madrid?

A resposta é não. O tweet inclui quatro imagens: na primeira, os líderes juntam-se todos para uma fotografia junto a uma pintura; na segunda, surge o (ainda) primeiro-ministro britânico Boris Johnson; na terceira está Justin Trudeau, o primeiro-ministro canadiano; e, por último, vê-se Emmanuel Macron, Presidente de França. No entanto, as imagens que surgem na publicação não são autênticas. As fotografias originais foram alteradas digitalmente, de forma a parecer que os políticos estavam a contemplar pinturas “demoníacas” que “mostram destruição”.

Tal como foi anunciado num comunicado, os líderes da NATO estiveram “reunidos para analisar as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia e aprovar o novo Conceito Estratégico da Aliança”. O primeiro-ministro português, António Costa, também se deslocou para Madrid para participar na cimeira, que decorreu nos dias 29 e 30 de junho. Efetivamente, os líderes visitaram o Museu do Prado, mas as pinturas em exposição não são as que estão a ser partilhadas nas redes sociais.

“Ontem, graças à grande cobertura mediática da Cimeira da NATO, milhões de pessoas puderam admirar a riqueza do nosso património cultural. Hoje, o Prado volta a abrir com normalidade. Estamos à sua espera”, afirma-se na página do Twitter do museu, um dia depois da visita dos líderes.

Assim, na imagem de grupo original, os políticos estão junto da pintura “Las Meninas” de Diego Velázquez. Uma versão não editada da imagem que mostra Macron foi publicada pelo "El Mundo" e mostra o presidente francês ao pé de pinturas clássicas. A foto original de Trudeau foi partilhada pelo "El País" e mostra o primeiro-ministro canadiano em primeiro plano com um conjunto de quadros atrás e nenhum deles se assemelha às pinturas partilhadas no tweet.

Em suma, o Museu do Prado, em Madrid, não expôs nenhuma das pinturas publicadas nas redes sociais, uma vez que as fotografias partilhadas são manipuladas. Os líderes mundiais contemplaram obras clássicas e não “arte com um aspeto demoníaco” como dizem alguns internautas.

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