"Os líderes de 200 países a voar em jatos privados para uma reunião sobre mudanças climáticas, para me obrigarem a deixar de conduzir o meu carro", expõe-se na publicação em formato de meme, partilhada a 12 de novembro, enquanto decorria a 27.ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas, este ano no Egipto.

Apesar de estar a ser partilhada este ano, no contexto de mais uma conferência do clima, esta publicação não é original e surgiu durante o ano passado, altura pela qual o Polígrafo avaliou e classificou a informação como verdadeira.

À data, e de acordo com o FlightRadar24, um site que permite seguir voos em tempo real, houve 182 voos não comerciais para os aeroportos de Glasgow, Prestwick e Edimburgo desde 27 de outubro, excluindo as viagens de carga, regulares ou locais. Registou-se cerca do dobro do total dos seis dias anteriores e estes dados ainda excluem alguns voos como o do avião do Presidente Biden, o “Air Force One”.

A empresa de análise de aviação Cirium disse à BBC que houve um total de 76 voos relacionados com jatos privados, ou voos VIP, que chegaram a Glasgow e arredores nos quatro dias anteriores a 1 de novembro.

O que é que isto significa em termos de pegada de carbono?

Os aviões produzem gases com efeito de estufa - principalmente dióxido de carbono (CO2) – através da queima de combustível, que consequentemente contribuem para o aquecimento global. As emissões por quilómetro percorrido variam consoante o tamanho do avião, os níveis de ocupação e a eficiência.

Se considerarmos a viagem de Roma até Glasgow num jato privado, que alguns dos líderes do G20 - congresso entre Chefes de Estado e de Governo, com o objetivo de melhorar a coordenação nas principais questões globais - fizeram para chegar à COP26, isso levaria cerca de 2 horas e 45 minutos, exigindo 2.813 litros de combustível de avião.

O Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial do Reino Unido diz que são emitidos 2,52 kg de dióxido de carbono por cada litro de combustível de turbina de aviação queimado. Por conseguinte, este voo produziria 7,1 toneladas de CO2.

No entanto, é recomendado que os valores das emissões de CO2 sejam multiplicados por 1,9 para refletir o efeito das emissões não CO2 libertadas pelos aviões a grande altitude. Assim, o total de emissões para este voo seria de 13,5 toneladas de equivalente CO2 e, com uma capacidade de nove, cada passageiro seria responsável por 1,5 toneladas na sua viagem.

Se os Chefes de Estado e de Governo tivessem viajado em voos comerciais, as suas emissões teriam sido de um quarto de tonelada cada, porque mesmo que o avião consuma mais combustível por hora, transporta muito mais passageiros e, por conseguinte, produz menos emissões por pessoa.

Cenário piorou este ano

De acordo com a Agence France-Presse (AFP), que confirmou estas informações junto das entidades locais egípcias, aterraram no Egipto cerca de 400 jatos privados no âmbito da Cimeira do Clima. Ainda segundo a AFP, alguns meios de comunicação social citaram estimativas mais baixas, através de flight trackers, embora se reconheça que podem ter havido voos privados que não foram registados pelos serviços de monitorização.

"Houve uma reunião antes da COP27 e as autoridades já estavam à espera desses jatos e fizeram até alguns arranjos no aeroporto de Sharm el-Sheikh para receber esses aviões", disse a mesma fonte à AFP.

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Avaliação do Polígrafo:

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