"Percebem ou é preciso um desenho? Líder dos taliban com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China há três semanas", descreve-se num dos posts que exibem a fotografia em causa, datado de 15 de agosto.

A imagem é autêntica? E, se sim, quando é que se realizou tal reunião?

Através da aplicação TinEye encontramos a origem da imagem: é um fotograma de um vídeo da Associated Press que foi publicado em vários jornais internacionais, nomeadamente no norte-americano "The Washington Post", em notícia datada de 28 de julho de 2021 e com o seguinte título (em tradução livre a partir do original em língua inglesa): "China recebe líderes taliban enquanto EUA retiram tropas do Afeganistão".

"O ministro dos Negócios Estrangeiros da China deu as boas-vindas a uma delegação de nove membros dos taliban, a 28 de julho, durante a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão", descreve-se na legenda do vídeo. Ou seja, cerca de três semanas antes da publicação da imagem nas redes sociais, pelo que se confirma a veracidade da mesma.

Segundo reportou o jornal "The Washington Post", a China expressou apoio ao papel dos taliban no futuro próximo do Afeganistão, mas avisou-os para cortarem laços com um movimento separatista na região de Xinjiang, defendendo assim os seus interesses geoestratégico.

Neste âmbito importa salientar que a China e o Afeganistão partilham uma fronteira terrestre, no estreito Corredor de Wakhan, em plena Cordilheira de Pamir, por entre territórios do Tajiquistão e do Paquistão. É uma ligação geográfica direta a Xinjiang, região autónoma do Noroeste da China, epicentro da repressão dos uigures (minoria étnica de confissão muçulmana) pelo regime de Pequim.

"Apenas dias após encontrar-se com dirigentes de topo dos EUA na cidade portuária de Tianjin, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, recebeu uma delegação de nove membros dos taliban que incluiu o principal negociador e líder político de topo Mullah Abdul Ghani Baradar. Isto acontece ao mesmo tempo da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, que alguns especialistas e dirigentes avisaram que poderá originar instabilidade política na região", informou o mesmo jornal.

De acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, emitido na altura, Wang Yi disse aos líderes dos taliban que a "retirada apressada" dos EUA é um marco do fracasso das suas políticas no Afeganistão. Também assegurou que a China não vai interferir nos assuntos internos do Afeganistão e espera que os taliban desempenhem "um papel importante no processo de paz, reconciliação e reconstrução" do país.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

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