"O líder do fórum económico mundial acredita que os teus cães e os teus gatos também devem ser aniquilados, a fim de 'combater as Alterações Climáticas'. Só é pena que a maioria aqui no meu face esteja dependente da língua portuguesa, caso contrário ao ouvirem as coisas diretamente da boca do lobo, sem dúvida que o impacto seria diferente", destaca-se num post no Facebook, datado de 12 de dezembro.

É partilhada uma ligação para um site norte-americano, que se apresenta como uma publicação de notícias "comprometida em cobrir as manchetes que os principais meios de comunicação evitam". No artigo partilhado, garante-se que o Fórum Económico Mundial lançou uma iniciativa em que pedia "o sacrifício de milhões de cães e gatos em todo o mundo num esforço para reduzir a 'pegada de carbono' que eles produzem como resultado do consumo de carne".

Será que a alegação partilhada tem algum fundamento?

Uma pesquisa sobre a informação partilhada, em motores de busca e no site da ONG, não permite encontrar a iniciativa revelada. Também não existem notícias de órgãos de comunicação credíveis que apontem nesse sentido. A plataforma de fact-checking da AFP questionou um porta-voz do Fórum Económico Mundial que confirmou, a 13 de dezembro de 2022, que as informações divulgadas nas redes sociais são "falsas", garantido que a organização "nunca fez tal declaração", ou tomou tal iniciativa.

  • ONU promove "a fome mundial" para "implementar 'A Grande Reinicialização'", descobre-se nas redes sociais

    Em causa está um artigo publicado em 2008 na revista "UN Chronicle", da Organização das Nações Unidas (ONU), com o seguinte título: "Os benefícios da fome mundial." Tinha um evidente cariz satírico (ou de crítica social), mas entretanto está a ser partilhado nas redes sociais (com destaque para imagens do título) como prova de que a ONU criou ou promove "a fome mundial". Em algumas versões (elevadas à categoria de teoria da conspiração) garante-se que o objetivo consiste em "implementar 'A Grande Reinicialização'".

No site da ONG foram publicados, ao longo dos anos, vários artigos que apelam à consciencialização sobre o impacto ambiental da produção de carne. O conselho deixado a empresas de produção de alimentos para animais de estimação e aos seus donos é o da reavaliação da dieta de cães e gatos, reduzindo porções ou procurando alternativas vegetarianas para certas rações, por exemplo. Nenhum dos textos menciona a ideia de sacrificar cães e gatos. Em 2019, a organização divulgou o trabalho de especialistas e empresas na produção de rações à base de insetos, uma alternativa à produção de carne.

Em conclusão, é falso que Klaus Schwab, ou qualquer outro representante do Fórum Económico Mundial, tenha defendido o abate de cães e gatos para combater as alterações climáticas.

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