"Lula ataca 'trabalho de motoristas por aplicativo' e promete acabar com modalidade, o setor responde hoje por mais de 1 milhão e 500 mil motoristas de aplicativo em todo o país", denuncia o autor de um tweet que tem sido replicado também noutras redes sociais.

Noutra publicação, mas no Facebook, repete-se o texto acima e acrescenta-se: "Atenção pessoal que trabalham com Uber, Pop 99, e outros, se preparem para perder seus empregos. São pais e mães de famílias que não poderão mais levar o sustento pra casa. O ladrão-mor (Lula) que ajuda os pobres, vai tirar seu único meio de sobrevivência. Vote nele e assuma a fome e a miséria dentro de suas casas."

Será que Lula da Silva fez tal afirmação?

Não. As publicações começaram a circular em maio, mas referem-se a uma entrevista que Lula da Silva deu à Rádio Passos FM, a 22 de fevereiro de 2022, numa conversa que foi transmitida em direto no YouTube.

Nessa entrevista, Lula afirma: "Se o cidadão quiser trabalhar no aplicativo é um direito dele, mas o dono do aplicativo tem que pagar um salário digno. (...) A gente vai criar emprego desses intermitentes que o trabalhador não tenha direito? A gente vai ficar fazendo o trabalhador trabalhar nesses aplicativos sem nenhum direito? É preciso dar garantia da seguridade social para as pessoas, é preciso que as pessoas tenham um descanso, é preciso que as pessoas tenham férias, é preciso que as pessoas ganhem um salário minimamente digno para comer.”

"O que nós queremos é discutir o seguinte: o que é bom para o Brasil? [...] O que pode ajudar, desde o trabalhador até o empresário? Agora, o que eles fizeram foi destruir direitos dos trabalhadores, trabalhador que trabalha em aplicativo não tem direito a nada, não tem direito a descanso semanal remunerado, não tem direito a férias, não tem direito a 13º [salário]. [...] Nós queremos é juntar essa gente, criar um modelo que eu acabei de te falar”, reforçou.

O candidato presidencial quer, assim, defender os direitos destes trabalhadores e não refere, em nenhum momento da entrevista, que quer acabar com os empregos que dependem de plataformas digitais. Contactada pela plataforma de fact-checking "Aos Fatos", a assessoria de imprensa de Lula da Silva nega as alegações que circulam nas redes sociais.

A 1 de maio de 2022, durante um evento para assinalar o Dia do Trabalhador, Lula da Silva também defendeu a necessidade de regulamentar os direitos básicos dos trabalhadores que trabalham através de aplicações.

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