De acordo com a nota de informação estatística de outubro de 2022 sobre "taxas de juro e montantes de novos empréstimos e depósitos" (pode consultar aqui), publicada pelo Banco de Portugal, "o montante de novos depósitos a prazo de particulares foi de 4.726 milhões de euros, remunerados a uma taxa de juro média de 0,24%".

Note-se que esta taxa "é a mais elevada desde novembro de 2017 e representa a maior subida mensal desde fevereiro de 2012", registando-se assim um aumento considerável.

"Do montante de novos depósitos constituídos em outubro, 4.205 milhões de euros foram aplicados em depósitos a prazo até um ano, remunerados a uma taxa de juro média de 0,23%", informa o Banco de Portugal.

Em setembro, a taxa de juro média dos novos depósitos de particulares até um ano fixou-se em 0,05%, tendo escalado para 0,24% em outubro.

Na Zona Euro, a subida das taxas de juro dos depósitos acelerou a partir de junho de 2022. Nessa altura, a taxa até um ano era de 0,2% na Zona Euro, enquanto em Portugal era quase nula, fixando-se em 0,07%. Desde então, as taxas de juros dos depósitos chegaram a 0,83% em apenas quatro meses, ao passo que em Portugal subiu de 0,07% para 0,23%.

Assim, comparando os 0,23% de Portugal em outubro, face à subida galopante da taxa de juro dos depósitos dos bancos europeus (média da Zona Euro) para 0,83%, confirma-se que os bancos portugueses pagam cerca de quatro vezes menos do que os europeus.

Os depósitos a prazo são um dos produtos de poupança que mais atraem os portugueses, mas as taxas de juro reduzidas não os beneficiam. Em declarações ao Polígrafo, o consultor Raul Azevedo explica que "a análise é simples" - ao não acompanharam a subida das taxas de juro dos depósitos da Zona Euro, os bancos portugueses estão a lucrar com isso.

"O banco está a aumentar os seus lucros e esse benefício não está a passar ao consumidor que está a ser muito prejudicado, porque os seus créditos estão mais caros, ligados à Euribor, mas os seus depósitos não estão a ser mais remunerados", sublinha Azevedo.

"Se o banco acompanhasse a remuneração dos juros dos depósitos tal como fez com o aumento dos juros que lhes cobra, havia um equilíbrio maior nas famílias. Portanto, os bancos estão a ganhar mais e as famílias estão a perder", conclui.

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Avaliação do Polígrafo:

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