Rui Fonseca e Castro, cuja expulsão da magistratura foi hoje conhecida, tem recorrido sobretudo às redes sociais para fazer declarações que colocam em causa a existência da pandemia de Covid-19, a eficácia das vacinas contra a doença e ainda para apelar à desobediência civil.

Recentemente, várias publicações no Facebook dão a conhecer o mais recente vídeo do juiz, no qual o magistrado terá alegado que Manuel Soares, presidente da Direção da Associação Sindical dos Juízes, opera com brandura no que respeita a crimes de pedofilia.

O vídeo em causa foi publicado no dia 3 de outubro, na página "Habeas Corpus", alojada no Facebook. É protagonizado pelo juiz Rui Fonseca e Castro, suspenso preventivamente pelo Conselho Superior de Magistratura (CSM) e alvo de processo disciplinar por causa de conduta "prejudicial e incompatível com o prestígio e a dignidade da função judicial".

"O senhor Manuel Soares é um cobarde, porque não passa de um político transvestido de magistrado judicial. Um verme necrófago que viscosamente tem deslizado pelos meandros do poder a alimentar-se dos restos deixados por aqueles a quem ele serve. Nunca se ouviu falar numa palavra de indignação por parte de Manuel Soares relativamente, por exemplo, ao facto de termos um pedófilo como presidente da Assembleia da República, nem tampouco à saída vitoriosa e impune do senhor José Sócrates do Tribunal Central de Instrução Criminal", começa por dizer no início do vídeo.

"Talvez o senhor Manuel Soares não se recorde, mas eu integrei alguns coletivos a que ele presidiu no Tribunal do Seixal e recordo-me bem da forma como ele tratava os crimes de pedofilia, ou seja, de abuso sexual de crianças. Em síntese tratava-se de aplicar uma pena muito branda de forma a que o arguido ficasse satisfeito e assim não recorresse", afirma ainda.

Em suma, é de facto verdade que o juiz Rui Fonseca e Castro acusou Manuel Soares de ser um "verme" e de atuar com brandura no que respeita a crimes de pedofilia.

  • Juiz negacionista afirmou ser superior hierárquico da PSP. Tem razão?

    "Não me toca, ponha-se no seu lugar, eu sou a autoridade judiciária aqui", foram as palavras que o juiz Rui Fonseca e Castro proferiu a dois agentes da PSP que se encontravam no exterior do Conselho Superior da Magistratura, momentos antes de ser ouvido no âmbito do processo de suspensão. Por várias vezes, o magistrado afirmou estar numa posição superior à dos elementos da força de segurança no local. As suas alegações têm fundamento?

Não é a primeira vez que o juiz está envolvido em polémicas. Num vídeo partilhado no Instagram a 2 de agosto, Rui Fonseca e Castro acusou múltiplas vezes Eduardo Ferro Rodrigues de ser "pedófilo", chegando a dizer que ficaria "feliz" com o seu suicídio. Além disso, defendeu com convicção o facto de não poder ser acusado do crime de difamação por realizar tais afirmações, algo que o Polígrafo já desmentiu.

No dia 7 de setembro, na audiência sobre o processo de suspensão de funções, no Conselho Superior de Magistratura, o magistrado, que chegou ao edifício do CSM acompanhado de dezenas de apoiantes, dirigiu-se a dois agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) afirmando que "o meu lugar é este, acima de si, o senhor está abaixo de mim, portanto o senhor não vai carregar sobre ninguém".

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