A voz era tão agressiva e as ameaças tão graves, que decidimos meter um filtro de voz mais doce nos criminosos que nos querem matar. Medo.” O comentário, publicado numa página do Facebook, introduz um vídeo de 1m 45s editado no som e acompanhado de um texto composto por frases isoladas, que passam à medida que as imagens correm, para sincronizar a mensagem que quer ser passada por quem manipula o clip e o que é mostrado nas imagens.

O vídeo tem como fundo sonoro uma música, não se entende a letra porque a voz está distorcida. A acompanhar imagens, que remetem para um universo de delinquência, intimidação e hostilidade contra a polícia, está inscrito este conjunto de frases: “jovens lolol”, “fazem vídeo criminoso”, “com o intuito de intimidar a polícia”, “chamando-nos de porcos”, “ameaçando cortar-nos A cabeça”, “insultando-nos com gestos”, “exibindo armas de fogo”, “fazendo apologia ao crime”, “ameaçando nos matar”, “por temer tanto a voz agressiva”, “juntamos um filtro voz mais doce”, “para os jovens ficarem mais reais”, “e menos agressivos kkkkkkk”. Sobre o ecrã está colocado em permanência uma espécie de carimbo, com a divisa “Nesta família, ninguém luta sozinho – Carro de Patrulha”.

Mas este será mesmo um vídeo realizado com o intuito de ameaçar a polícia?

Apesar do iniludível caráter violento das imagens, este não é um vídeo produzido e posto a circular por jovens propositadamente para intimidar a polícia. Trata-se, sim, de uma obra musical, um videoclip do cantor Top Boy: “Capital di Crimi”, lançado em dezembro de 2020 pelo rapper da Tapada das Mercês (Sintra).

O vídeo original (com duração de 3.28 minutos) teve produção profissional, divulgação em várias redes sociais e outros canais.

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As imagens divulgadas pela página de Facebook constituem uma edição da versão original: no som (distorcido), na duração (encurtada) e nos comentários e “carimbo” que lhe são justapostos, para criar o contexto pretendido por quem manipulou as imagens.

Assim, é falso que jovens armados tenham ameaçado de morte polícias através de um vídeo.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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