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José Soeiro: “Jogos sociais correspondem a 80% do financiamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa”

Política
O que está em causa?
José Soeiro, do Bloco de Esquerda, disse esta tarde que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem uma "receita especial" que gera "grandes apetites nos privados": é a mesma que corresponde a 80% do seu financiamento e provém dos jogos sociais. É verdade?
© Mário Cruz/Lusa

Durante esta tarde, na Assembleia da República (AR), o deputado bloquista José Soeiro afirmou, no debate sobre a gestão financeira e a tutela política da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que esta “é a grande protagonista de ação social na cidade”.

“A Santa Casa tem um estatuto especial. Em Lisboa, é tutelada diretamente pelo Governo, que tem poderes especiais na definição das orientações gerais de gestão e na fiscalização da atividade. E tem ainda uma receita especial que, aliás, gera grandes apetites nos privados, que é a exploração dos jogos sociais, que correspondem a 80% do seu financiamento“, disse Soeiro, numa intervenção em que destacou ainda a quebra nos rendimentos associados aos jogos sociais devido “à entrada em cena do jogo virtual”.

Será, então, verdade que 80% da receita da SCML é proveniente dos jogos sociais?

Sim. De acordo com o último relatório de Gestão e Contas da SCML, relativo ao ano de 2022, as receitas correntes registaram, nesse ano, um aumento face a 2021, para os 241,2 milhões de euros (+7,4%), justificado sobretudo “pelo acréscimo em 8,6 milhões de euros da distribuição de resultados de jogos sociais”. Só nesta rubrica, as receitas foram de 195 milhões de euros, ou seja, 80,9% do total da receita corrente.  

Em 2021 o cenário era o mesmo: dos 224,7 milhões de euros de despesa corrente, um total de 186,5 milhões de euros correspondeu à distribuição dos resultados dos jogos sociais, ou seja, 83%.

Desde 2020, no entanto, que a Santa Casa passou do lucro ao prejuízo (de 52,8 milhões de euros nesse primeiro ano de pandemia), uma trajetória que se manteve em 2021 (39,8 milhões de euros de prejuízo) e em 2022 (12,4 milhões de euros de prejuízo).

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Avaliação do Polígrafo:

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