"A diferença entre o CDS e o Bloco é que o CDS só quer conhecer os devedores da CGD e o Bloco fez aprovar uma proposta para conhecer os devedores de todos os bancos intervencionados, Caixa incluída", escreveu José Gusmão, dirigente do Bloco de Esquerda (BE), na rede social Twitter. A publicação em causa incluía a difusão de um vídeo com uma intervenção de Mariana Mortágua, deputada do BE, no Parlamento. "Ficaremos finalmente a conhecer os grandes devedores em incumprimento à banca", afirmou, por seu lado, Mortágua.

O tweet de Gusmão motivou uma resposta de Adolfo Mesquita Nunes, dirigente do CDS-PP e vereador na Câmara Municipal da Covilhã: "Isso é mentira. Repito, mentira. É mesmo preciso mentir?" Nesse comentário em resposta ao bloquista, Mesquita Nunes indicou uma ligação para o Projeto de Lei Nº836/XIII/3ª, apresentado pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP na Assembleia da República, a 16 de abril de 2018. O Projeto de Lei em causa visava assegurar a "transparência nos apoios públicos ao setor financeiro", estabelecendo "regras e deveres de transparência a que ficam sujeitas as operações de capitalização das instituições de crédito com recurso a investimento público, direto e indireto".

De acordo com essa iniciativa legislativa do CDS-PP, o Banco de Portugal ficaria obrigado a divulgar publicamente os seguintes elementos, quanto aos devedores da instituição de crédito: lista dos 10 principais devedores, da instituição de crédito, em incumprimento e os montantes respetivos; lista das garantia associadas a cada um dos contratos que estiveram na origem do referido débito; decisores e datas de aprovação dos respetivos créditos, das eventuais renovações e reestruturações".

O Projeto de Lei do CDS-PP incidia sobre "todos os processos de capitalização de instituições de crédito com recurso a investimento público direto e indireto através do fundo de resolução". Ou seja, não abrangia apenas a Caixa Geral de Depósitos, ao contrário do que Gusmão afirmou no tweet em análise. Isso mesmo acabou por ser reconhecido pelo próprio Gusmão na contra-resposta a Mesquita Nunes, tendo apresentado outro argumento: "Pois, o projeto do CDS está muito bonito, mas a vossa proposta para o texto comum foi no sentido de limitar esta divulgação aos bancos que ainda devem ao Estado, protegendo os restantes".

Cingindo a análise ao tweet inicial de Gusmão, não é verdade que "o CDS só quer conhecer os devedores da CGD". Nesse ponto, Mesquita Nunes tem razão ao acusar o bloquista de "mentir".

Mesquita Nunes voltou depois à carga na sua página do Twitter, denunciando a "mentira" do tweet de Gusmão. "Isto é mentira. Deve compensar mentir para fingir que só o Bloco é bom e tem propostas boas. E sobretudo para fazer esquecer o papel do Bloco no branqueamento do que se passou na CGD". E mais tarde respondeu ao contraditório de Gusmão, sublinhando: "Aos bancos que devem ao Estado, dizes tu agora. No teu tweet mentiroso dizias que era só a Caixa. Mentiste. E o CDS subscreveu e votou a favor da aplicação a todos os bancos. Coisa que omites agora".

"Os bancos de que devem ao Estado foi o critério que vocês inventaram para deixar quase todos de fora, exceto Novo Banco e Caixa. Perdoa se não reproduzo o vosso spin e vou ao que (vos) interessa", ainda insistiu Gusmão. Ao que Mesquita Nunes contrapôs: "Uma vez mais a ignorares, deve dar jeito, que o CDS subscreveu e votou a aplicação a todos os bancos".

Cingindo a análise ao tweet inicial de Gusmão, não é verdade que "o CDS só quer conhecer os devedores da CGD". Nesse ponto, Mesquita Nunes tem razão ao acusar o bloquista de "mentir". Nos comentários posteriores, o próprio Gusmão acaba por adaptar a tese inicial para "quase todos de fora, exceto Novo Banco e Caixa". Por sua vez, Mesquita Nunes sublinhou depois - recorrendo a factos verdadeiros - que o CDS-PP "subscreveu e votou a favor da aplicação a todos os bancos".

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