Em entrevista ao jornal "Expresso" (publicada na edição de 13 de maio), questionado sobre os projetos de revisão constitucional e de reforma do sistema eleitoral da atual direção do PSD liderada por Rui Rio, o antigo ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, afirmou que "a revisão do sistema eleitoral é uma parte de uma revisão mais profunda do sistema político. É importante para aproximar eleitores de eleitos, defendo círculos uninominais compensados por um círculo nacional que garantisse a proporcionalidade, mas é preciso ir mais longe. Defendo que exista cada vez mais uma avaliação custo-benefício das políticas públicas, uma das razões pelas quais as pessoas são tão descrentes da política é por considerarem que há demagogia a mais e falta de racionalidade nas decisões tomadas".

Confrontado depois sobre se "acha que essas são as reformas de que o país precisa", o candidato à sucessão de Rio na liderança do PSD defendeu que "há neste momento matérias" que considera serem "mais prementes, nomeadamente a questão das desigualdades sociais, o crescimento da economia, a igualdade de oportunidades. A grande prioridade passa por soluções que enfrentem a crise social, a crise económica, a crise climática. Mas a descrença na política também é importante: Só 17% das pessoas acredita nos partidos. Temos de nos entender para uma ampla reforma do sistema político, incluindo do sistema eleitoral".

A percentagem indicada tem fundamento?

O Polígrafo contactou o próprio Moreira da Silva para identificar a fonte de informação. O antigo governante explicou que essa declaração foi baseada "num inquérito específico do Eurobarómetro" divulgado na imprensa nacional em 2019.

No entanto, depois de publicar este relatório, cujo trabalho de campo foi realizado em novembro de 2018, o centro de sondagens de opinião pública da União Europeia já divulgou mais seis inquéritos similares, com dados mais recentes sobre a percentagem de confiança dos portugueses nos partidos políticos.

A título de exemplo, alguns meses depois da publicação do relatório indicado por Moreira da Silva, os resultados do inquérito do Eurobarómetro realizado em junho de 2019 mostravam que a percentagem de portugueses que tendiam a confiar nos partidos políticos tinha subido para 20%.

Nos inquéritos seguintes esta percentagem foi oscilando, embora se tenha mantido sempre relativamente próxima dos 17% referidos pelo candidato à liderança do PSD.

Segundo o mais recente inquérito do Eurobarómetro, cujo trabalho de campo foi realizado entre janeiro e fevereiro de 2022, a percentagem de portugueses que diz confiar nos partidos políticos é de 18%.

Em conclusão, Moreira da Silva baseou-se num inquérito de 2018, com dados desatualizados. Tendo em conta que a diferença na percentagem em relação ao mais recente inquérito (de 2022) não é muito expressiva, apenas um ponto percentual, optamos pela classificação de "Impreciso".

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