Pelo menos 19 crianças e dois professores morreram num tiroteio que aconteceu numa escola da cidade de Uvalde, no estado do Texas. O Presidente norte-americano, Joe Biden, apontou o dedo à legislação sobre o uso e porte de armas e afirmou que os “tiroteios em massa triplicaram” depois de ter expirado a lei que proibia o fabrico para uso civil de armas semiautomáticas – definida pela lei como “armas de assalto” – e de carregadores de munições de grande capacidade.

“Passei a minha carreira como Senador e como vice-Presidente a trabalhar para aprovar leis com senso comum sobre as armas”, disse Biden, durante uma transmissão televisiva, no dia 24 de maio. “Não conseguimos e não vamos prevenir todas as tragédias. Mas sabemos que elas [as leis] funcionam e têm um impacto positivo. Quando aprovámos a proibição de armas de assalto, os tiroteios em massa desceram. Quando a lei expirou, os tiroteios em massa triplicaram”, disse ainda o Presidente norte-americano.

A proibição a que Biden se refere é uma lei federal de 1994, implementada durante a Administração Clinton, e esteve em vigor até 2004. Segundo esta legislação, era proibido “o fabrico, a transferência e a posse” de cerca de 118 modelos de armas, assim como a utilização de carregadores de munição de grande capacidade – com mais de 10 balas por carregamento. Os cidadãos que já tinham em sua posse as armas incluídas nesta legislação puderam mantê-las.

“Não conseguimos e não vamos prevenir todas as tragédias. Mas sabemos que elas [as leis] funcionam e têm um impacto positivo. Quando aprovámos a proibição de armas de assalto, os tiroteios em massa desceram. Quando a lei expirou, os tiroteios em massa triplicaram”, disse ainda o Presidente norte-americano.

As armas semiautomáticas, que permitem um disparo por cada pressão no gatilho, são as mais utilizadas em tiroteios em massa nos EUA. Um estudo avança que, na altura, haveria nos Estados Unidos perto de 1,5 milhões de armas semiautomáticas.

Um outro estudo, publicado em 2019, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque, identificou uma ligeira descida no número de mortes em tiroteios, durante a década em que esteve em vigor a referida lei. Nos anos seguintes – entre 2004 e 2014 – o número de mortes subiu repentinamente.

Os dados recolhidos pelo grupo de investigadores, liderado pelo epidemiologista Chalres DiMaggio, mostram que entre 1983 e 1993 (antes da proibição) foram registadas 68 mortes em tiroteios com uso de armas semiautomáticas. Na década seguinte, entre 1994 e 2004 (durante a proibição), foram registadas menos 15 óbitos, ou seja, 53 vítimas mortais. Entre 2005 e 2015 (após a proibição expirar) o número de mortes subiu para 182 – o que representa mais do triplo dos óbitos registados no período em que a lei esteve em vigor e cerca do triplo dos registados entre 1983 e 1993.

Os investigadores consideram que a diminuição registada entre 1994 e 2004 é muito pequena para que sejam tiradas quaisquer conclusões sobre o impacto que a proibição efetivamente teve. No entanto, o aumento que se registou depois da lei expirar não levanta grandes dúvidas: em média, o número de tiroteios registado subiu de 4,8 por ano entre 1994 e 2004 para 23,87 por ano na década seguinte.

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