"Eu fui contra essa guerra no Afeganistão desde o início. Estamos a gastar 300 milhões de dólares por semana no Afeganistão há 20 anos", afirmou Joe Biden durante uma entrevista transmitida pelo canal de televisão norte-americano CBS, no dia 12 de dezembro, e que tinha como protagonista a primeira-dama, Jill Biden.

A alegação surgiu quando a jornalista Rita Braver questionou o presidente dos EUA sobre a forma como lida com as críticas, mais concretamente aquelas que surgiram após a retirada das forças norte-americanas do Afeganistão.

O jornal norte-americano de fact-checking Politifact já verificou a afirmação de Biden e classificou-a como falsa. Segundo o fact-checker, esta não é a primeira vez que o presidente dos EUA faz afirmações desta natureza. Uma situação idêntica, alvo de análise pelo "Facts First" da CNN, ocorreu durante as eleições primárias presidenciais do Partido Democrata, em 2019. Nessa ocasião, Biden afirmou ser "a pessoa que, como tem sido referido repetidamente, pensava que não deveríamos ir para o Afeganistão".

No entanto, em 2001, enquanto senador, Biden participou na votação que decidiu a invasão inicial das tropas norte-americanas ao Afeganistão, logo após os atentados de 11 de setembro. A autorização para o uso de força militar chegou ao Senado três dias após os ataques e foi aprovada com 98 votos a favor e 0 contra, com Joe Biden a votar a favor.

Tal como relembra o Politifact, nos anos seguintes, Biden ocupou o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e defendeu a necessidade de existir um equilíbrio entre os esforços militares e a assistência humanitária. Num discurso, em outubro de 2001, chegou a afirmar que, a não ser que o bombardeamento do Afeganistão acabasse "mais cedo ou mais tarde", os EUA correriam o risco de parecer um "bully de alta tecnologia". No entanto, é evidente a falta de clareza num oposição à guerra que Biden afirma agora ter sido contra "desde o início".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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