"Reparem, vamos colocar isto em perspectiva. Que interesse temos nós no Afeganistão neste momento, sem a Al-Qaeda? Nós fomos ao Afeganistão com o objetivo expresso de livrarmo-nos da Al-Qaeda no país, bem como de apanhar Osama bin Laden. E foi isso que fizemos", disse Biden expressamente no discurso proferido na Casa Branca, na sequência dos últimos acontecimentos no Afeganistão.

"Imaginem se o Bin Laden tivesse decidido, juntamente com a Al-Qaeda, atacar a partir do Iémen. Algum dia nós teríamos ido para o Afeganistão? Haveria alguma razão para estarmos no Afeganistão - controlados pelo taliban? Qual é o interesse nacional dos Estados Unidos nessa circunstância? Fomos e cumprimos a nossa missão. Vocês conhecem a minha posição há muito, muito tempo. É hora de acabar com esta guerra", concluiu o líder norte-americano.

Mas Biden não está factualmente correto quando diz que a Al-Qaeda já não se encontra presente no Afeganistão. Aliás, o presidente dos Estados Unidos foi desmentido, nesse mesmo dia, pelo porta-voz do Pentágono, John Kirby, que afirmou saber que a "Al-Qaeda é uma presença, assim como o ISIS, no Afeganistão", como noticia o maior jornal americano de fact-checking, "PolitiFact".

Quanto a essa presença, Kirby referiu não acreditar que o número seja "exorbitantemente alto", mas ressalvou não ter dados concretos para fornecer, ao mesmo tempo que acrescentou que a presença da Al-Qaeda não é suficiente para representar uma ameaça aos EUA como há 20 anos.

Além de Kirby, também o secretário de Estado, Antony Blinken, afirmou que há membros da Al-Qaeda no Afeganistão, referindo, no entanto, que a capacidade deste grupo para um novo ataque semelhante ao 11 de setembro foi reduzida.

Mencionando as declarações de Joe Biden, feitas a 20 de agosto, um porta-voz da Casa Branca afirmou que a ameaça do terrorismo em geral, e da Al-Qaeda em específico, continua a ser uma preocupação. Biden, por sua vez, referiu que havia, "de longe, um perigo maior vindo do ISIS e da Al-Quaeda noutros países do que no Afeganistão".

No sentido contrário às declarações do presidente dos Estados Unidos, relatórios recentes de agências governamentais revelaram que a Al-Qaeda continua presente no Afeganistão, nomeadamente um documento das Nações Unidas, que mostra que uma parte significativa da liderança da Al-Qaeda reside na região da fronteira do Afeganistão e do Paquistão. A Al-Qaeda está ainda presente em pelo menos 15 províncias afegãs e "é relatado que o seu número varia entre algumas dezenas até 500 pessoas".

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Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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