A página “Direita Política” tem sido muitas vezes apontada como a origem de notícias falsas, ou deturpadas, no âmbito do trabalho de verificação de factos pelo Polígrafo. Desta vez, porém, analisamos uma publicação (a pedido de vários leitores) que pode ser considerada como verdadeira. Título: “Joe Berardo deixa dívida de 280 milhões à CGD e a todos os portugueses”.

“Fique você, caro amigo, a dever cinco euros às Finanças e até lhe penhoram a casa. Rasguem pois a Constituição na parte em que nos é dito que todos somos iguais perante a lei… Não nos insultem todos os dias, por favor! Este é um exemplar típico de compadre beneficiário do ‘capitalismo de compadrio’ em que vivemos em Portugal”, lê-se no primeiro parágrafo do texto.

Ao longo do artigo predomina a componente subjetiva, de opinião do autor, pelo que não se enquadra no âmbito da verificação de factos. Como tal, focamo-nos na informação essencial que está plasmada no título. O empresário Joe Berardo deixou mesmo uma dívida de 280 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos e, por extensão, a todos os contribuintes portugueses que suportaram o recente processo de recapitalização do banco público?

De acordo com o relatório de auditoria preliminar da EY às contas da Caixa Geral de Depósitos, revelado na semana passada, a Fundação Berardo (detida por Joe Berardo) destaca-se na lista de financiamentos com maiores perdas. No final de 2015, a Caixa Geral de Depósitos tinha uma exposição de cerca de 268 milhões de euros relativamente a um crédito concedido à Fundação Berardo, tendo assumido então uma imparidade de cerca de 124 milhões de euros (46,5% do total da dívida).

Tendo em conta os dados conhecidos até ao momento, é legítimo concluir que “Joe Berardo deixa dívida de 280 milhões à CGD e a todos os portugueses”.

Além da Fundação Berardo, o empresário Joe Berardo está associado a outro crédito incluído na lista de maiores perdas da Caixa Geral de Depósitos (compilada no relatório da EY), através da Holding Metalgest. No final de 2015, o empréstimo à Holding Metalgest tinha uma exposição de 53 milhões de euros para o banco público e imparidade assumida de 28 milhões de euros (53% do total da dívida). 

Estes empréstimos foram concedidos a Joe Berardo em meados de 2007 e visaram a aquisição de ações do Banco Comercial Português. Mais, a Caixa Geral de Depósitos aceitou como garantia dos créditos as próprias ações do Banco Comercial Português que foram adquiridas através desses mesmos créditos. Importa salientar que o relatório de auditoria da EY é preliminar, não definitivo, e reporta ao final de 2015. Pelo que não se conhecem eventuais desenvolvimentos nos processos destes créditos.

Ainda assim, tendo em conta os dados conhecidos até ao momento, é legítimo concluir que “Joe Berardo deixa dívida de 280 milhões à CGD e a todos os portugueses”. Acrescentando o valor do outro crédito, perfaz até um valor global de 333 milhões de euros, com imparidades já assumidas de 152 milhões de euros. Tratando-se de um banco totalmente público, cabe aos contribuintes portugueses suportar essas imparidades. Pelo que o título da publicação em análise é verdadeiro, embora pendente de eventuais desenvolvimentos do processo.

Avaliação do Polígrafo:

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