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João Oliveira: “Salário médio em Portugal está mais longe do salário médio da Alemanha” desde a adesão ao euro

Política
O que está em causa?
Numa entrevista ao "Diário de Notícias" (18 de maio) em que voltou a defender que Portugal deve preparar-se para sair do euro, o candidato do PCP ao Parlamento Europeu recordou que "quando aderimos ao euro prometeram-nos que, com a mesma moeda da Alemanha, podíamos vir a ter salários iguais aos da Alemanha", mas isso não se concretizou.
© Agência Lusa / António Cotrim

Questionado sobre “porquê essa insistência na saída do euro”, um tema recorrente no discurso do cabeça-de-lista do PCP nas eleições para o Parlamento Europeu, em entrevista ao jornal “Diário de Notícias” publicada na edição de hoje (18 de maio), João Oliveira começou por reconhecer que “temos uma opinião muito crítica em relação ao euro a partir da realidade nacional e dos problemas que o euro tem criado”.

Posto isto, apontou para o exemplo dos salários na Alemanha em comparação com Portugal. “Quando há cerca de 25 anos aderimos ao euro, prometeram-nos que, com a mesma moeda da Alemanha, podíamos vir a ter salários iguais aos da Alemanha. Ora, hoje o salário médio em Portugal está mais longe não só do salário médio do euro da Alemanha, como do salário médio da União Europeia. Houve uma desvalorização dos salários”, afirmou Oliveira.

A alegação sobre o salário médio tem fundamento?

Um estudo sobre “O Salário Médio em Portugal – Retrato atual e evolução recente”, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, descreve a evolução dos salários desde a introdução do euro até 2017. Chegou à conclusão de que “em Portugal, o nível de salários é baixo e o crescimento salarial é muito lento”.

De acordo com os dados apurados, entre 2002 e 2017, o salário-base médio real subiu de 879 euros para apenas 925 euros, perfazendo um crescimento de 0,32% ao ano e 5,2% ao longo de 16 anos.

Em comparação com outros países, nomeadamente os Estados-membros da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), sublinha-se no estudo que em 2020 Portugal estava na “quarta pior posição entre os países da União Europeia que integravam o ranking do salário anual médio da OCDE: menos um terço que a Espanha e menos 90% que a Alemanha“.

Na base de dados da OCDE confirma-se aliás que, entre 2002 e 2022, o salário médio de Portugal ficou mais distante do salário médio da Alemanha – enquanto o registado em Portugal ficou praticamente estagnado em cerca de 31 mil dólares norte-americanos por ano, o da Alemanha subiu de 52 mil para quase 59 mil dólares, acima da média da OCDE que também subiu de cerca de 46 mil para 53 mil.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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