No primeiro dia em que foi posto à prova no Parlamento, o novo ministro das Finanças, João Leão, respondeu às perguntas dos deputados e afastou algumas críticas da oposição com outras. Foi o que aconteceu enquanto respondia à intervenção do deputado Ricardo Batista Leite.

O deputado do PSD tinha criticado o Governo por não estar a “fazer tudo o que é preciso” na saúde “quando o dispositivo de saúde pública é o que permite manter o país a funcionar”. Para responder a Ricardo Batista Leite, João Leão sublinhou que este ano o Serviço Nacional de Saúde vai receber 1350 milhões de euros, enquanto que quando o seu partido esteve no Governo o valor sofreu uma quebra de mil milhões de euros .

“O senhor deputado não se recorda que foi o Governo do PSD que cortou mil milhões de euros do orçamento do Serviço Nacional de Saúde. Nós aqui estamos a reforçar num só ano, em contexto difícil do ponto de vista económico e financeiro, não temos a desculpa da crise”, afirmou o ministro das Finanças.

As contas do sucessor de Centeno estão certas?

Segundo os números da execução orçamental divulgados pela Direção Geral do Orçamento, no ano anterior à coligação PSD/CDS chegar ao Governo, ou seja, em 2010, foram transferidos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) 8.848,7 milhões de euros. Mas já era intenção do Executivo de José Sócrates que o valor para 2011 fosse mais baixo. O Orçamento do Estado ainda assinado por Teixeira dos Santos previa um gasto de 8.202,7 milhões de euros com o SNS, menos 646 milhões que o cumprido no ano anterior.

No último ano que esteve no poder, 2015, e sendo que o último mês do ano já teve como Primeiro-Ministro António Costa, Passos Coelho transferiria 8.024 milhões de euros para o SNS, menos 824,7 milhões que em 2010. Pode, por isso, concluir-se que João Leão, apesar de não ter dito uma mentira irrefutável, exagerou no arredondamento, uma vez que para atingir os 1000 milhões de euros faltariam 175,3 milhões de euros.

Pedro Passos Coelho tomou posse como primeiro-ministro em junho de 2011 e executou o orçamento do Governo de Sócrates durante pouco mais de meio ano. O contributo desse ano para o SNS acabaria por ser de 8.251,8 milhões de euros. Nos anos seguintes atingiria máximos e mínimos: em 2012 foram gastos 9.706,8 milhões de euros, enquanto em 2014 o valor ficou-se pelos 7.856,8 milhões de euros.

No último ano que esteve no poder, 2015, e sendo que o último mês do ano já teve como Primeiro-Ministro António Costa, Passos Coelho transferiria 8.024 milhões de euros para o SNS, menos 824,7 milhões que em 2010. Pode, por isso, concluir-se que João Leão, apesar de não ter dito uma mentira irrefutável, exagerou no arredondamento, uma vez que para atingir os 1000 milhões de euros faltariam 175,3 milhões de euros.

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