Parte de um Governo demissionário, João Cravinho está a ser acusado nas redes sociais de ter mudado de opinião quanto à guerra entre Israel e o Hamas. Depois de, esta terça-feira, o Secretário-Geral das Nações Unidas ter recorrido à rede social X para falar sobre a "situação horrível e a dramática perda de vidas em vários hospitais em Gaza" e para apelar, "em nome da humanidade, a um cessar-fogo humanitário imediato", o MNE seguiu os seus passos. E fê-lo por duas vezes: antes e depois de três portugueses terem perdido a vida em Gaza.

"Obrigado Secretário-Geral por dizer aquilo que tem de ser dito, em nome da humanidade. É essencial que se poupem vidas em Gaza. Isto requer ação imediata", escreveu João Cravinho em comentário ao "tweet" de António Guterres.

Na caixa de comentários, vários utilizadores do "X" apontaram incoerências a Cravinho: "Olha, passado um mês , 13.000 mortes civis, 5 mil crianças, 50% do território destruído e 1,5 milhões de deslocados, o nosso MNE achou bem pedir para poupar vidas. Um dia destes ainda condenam Israel por matar civis"; "Isto é conta parodia só pode. Só tens dado apoio ao genocídio dos palestinianos e ainda tens a lata de dizer que o Guterres é que tem razão? Como consegues deitar a cabeca na almofada à noite?"

Em causa sucessivas intervenções de João Cravinho em que o MNE apelou ao direito de defesa por parte de Israel. Na CNN Portugal, por exemplo, o ministro disse mesmo ser "importante que não haja uma matança descontrolada de palestinianos em Gaza", uma frase que lhe valeu muitas críticas apesar de ser uma das primeiras em que Cravinho quase condenou as forças israelitas.

Num "tweet" partilhado a 7 de outubro, Cravinho era mais alinhado no seu posicionamento: "Condenamos firmemente os ataques terroristas lançadas contra civis pelo Hamas hoje. Israel tem o direito de se defender. Estes ataques nada resolverão, contribuindo apenas para piorar a situação na região. Estamos solidários com Israel e oferecemos condolências pelas vítimas."

A 15 de outubro, na mesma rede social, Gaza já tinha lugar no discurso do ministro: "A situação em Gaza é motivo de profunda preocupação, partilhada esta manhã com os colegas do Egito, Sameh Shoukry, e da Tunísia, Nabil Ammar. Continuamos a trabalhar para apoiar os cidadãos nacionais envolvidos no conflito, e contribuindo para reduzir as tensões."

Na tarde de ontem, depois de avançar que três português morreram num bombardeamento no sul da Faixa de Gaza, Cravinho classificou os acontecimentos como "mais uma prova de que este não é o caminho certo”. Para o ministro, que há pouco mais de um mês se alinhava com Israel, é preciso "parar agora estes bombardeamentos". "Pausa, cessar-fogo, trégua, pouco importa, desde que o resultado seja a cessação de bombardeamentos que estão a provocar vítimas civis", completou.

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