A alegação circula no Twitter, mas também em vários posts no Facebook, e é dirigida a pais e educadores: “A professora Joacine, em discurso para a sua comunidade de portugueses (mais portugueses que o resto dos portugueses) defende que deve haver um professor de cada raça na turma do seu filho para evitar as disparidades raciais. Qual a sua opinião?”

As publicações foram feitas nos últimos dias, e parecem surgir na sequência das várias ações de luta contra o racismo que têm tido lugar, também, em Portugal. Ainda assim, o texto transversal aos vários posts não apresenta qualquer fonte para a informação, é vago, e não contextualiza as palavras de Joacine, características que são comuns nas fake news. Por isso mesmo, a pergunta impõe-se: será que a deputada defendeu, de facto, que deve existir “um professor de cada raça” em todas as turmas das escolas portuguesas, “para evitar disparidades raciais”?

A resposta é não.

Em primeiro lugar, os posts em causa dão conta de que Joacine terá feito a afirmação em análise num “discurso para a sua comunidade de portugueses”, o que remete para as palavras da deputada no final da manifestação antirracista que teve lugar em Lisboa no dia 6 de junho. O discurso foi amplamente partilhado no Facebook, mas nele a luso-guineense não faz qualquer referência à necessidade de existir “um professor de cada raça” no corpo docente de cada turma.

Em declarações ao Polígrafo, a deputada garante: “Não fiz qualquer declaração nesse sentido, nem nas redes sociais, nem em discursos públicos ou em qualquer proposta apresentada no Parlamento.”

Antes, ainda no mês de maio e previamente à traumática morte do afro-americano George Floyd às mãos de um polícia branco, a deputada eleita pelo partido Livre – de que entretanto se afastou - apresentou um projeto de resolução no Parlamento que recomendava ao Governo a criação de uma campanha anti-racista “de grande fôlego na media, nas escolas, nas instituições públicas e junto das forças de segurança”. A proposta foi aprovada em plenário no dia 5 de junho. Porém, em momento algum é referida a necessidade de atribuir a cada turma "um professor de cada raça”, nem mesmo no âmbito da aplicação escolar da iniciativa. De notar que no texto do projeto de resolução a deputada afirma que “se a ciência já provou que biologicamente as raças não existem, o racismo, sim, existe”, palavras que tornam inverosímil a possibilidade de Katar Moreira reivindicar “um professor de cada raça”, pois na sua perspetiva, alinhada com a da ciência, as raças não existem.

Além disso, uma pesquisa em qualquer motor de busca na Internet por palavras deste género, associadas ao nome Joacine Katar-Moreira não apresenta qualquer resultado que confirme a suposta afirmação.

Em declarações ao Polígrafo, a deputada garante: “Não fiz qualquer declaração nesse sentido, nem nas redes sociais, nem em discursos públicos ou em qualquer proposta apresentada no Parlamento.”

Em conclusão, é falso que Joacine Katar Moreira defenda que deveria “existir um professor de cada raça” no corpo docente de cada turma das escolas portuguesas “para evitar disparidades raciais”.

Avaliação do Polígrafo:

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