Esta semana surgiu uma imagem polémica nas redes sociais, partilhada e comentada por milhares de pessoas, com uma suposta carta que terá sido enviada pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. "Em nome do Partido Comunista Português, envio-lhe as calorosas saudações por ocasião da sua tomada de posse como Presidente da República Bolivariana da Venezuela para o mandato de 2019-2025, em conformidade com a vontade do povo venezuelano expressa nos resultados da eleição presidencial de 20 de maio último e a ordem constitucional venezuelana", lê-se no primeiro parágrafo do texto.

"Face à agressividade das campanhas de desinformação, guerra de desestabilização e perigosas ameaças de escalada intervencionista do imperialismo e seus servidores, é de crucial importância expressar a solidariedade para com a defesa da soberania e independência nacional da República Bolivariana da Venezuela e o direito inalienável do povo venezuelano a determinar o seu caminho de desenvolvimento livre de ingerências e ameaças externas", prossegue.

"Convicto de expressar os sentimentos de amizade do povo português para com o povo venezuelano, reafirmo a firme solidariedade dos comunistas portugueses para com a resistência e luta do povo venezuelano para vencer as dificuldades e desafios actuais e prosseguir o caminho libertador aberto pela Revolução bolivariana", conclui a missiva, com a aparente assinatura de Jerónimo de Sousa.

Não foi possível apurar se a imagem em causa é autêntica ou não, mas a carta existe e o texto é verdadeiro. Aliás, o envio da carta foi noticiado no jornal "Avante!", órgão oficial do Partido Comunista Português, e o respetivo conteúdo também foi publicado no mesmo artigo (pode ler aqui). E sim, corresponde rigorosamente ao texto da imagem que está a circular nas redes sociais.

"Nicolas Maduro toma posse entre ameaças e ingerências", destaca-se no título da notícia do jornal "Avante!", publicado na edição de 10 de janeiro de 2019 (a carta foi remetida no dia anterior). "Soberania. O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro, toma hoje posse para um novo mandato, que, garante, marcará uma nova etapa na 'construção do socialismo' no país", enaltece-se na abertura do texto.

No final do artigo surge então a informação sobre a "mensagem de Jerónimo de Sousa a Nicolás Maduro". O jornal oficial do partido informa que "o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, enviou uma mensagem ao presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro, que publicamos na íntegra". Segue-se o texto que já transcrevemos.

Recorde-se que Nicolas Maduro, tomou posse na passada quinta-feira para um novo mandato de seis anos, mas sem o reconhecimento do Parlamento e contra a vontade de grande parte da comunidade internacional. O Parlamento venezuelano, controlado pela oposição, considerou ilegítimo o novo mandato do Presidente da Venezuela, obrigando Nicolas Maduro a fazer a cerimónia de tomada de posse perante o Supremo Tribunal de Justiça.

O Grupo de Lima, composto por 14 países das Américas, também já enviou uma mensagem de não reconhecimento da legitimidade do regime venezuelano, juntando as suas críticas à União Europeia (UE) e aos Estados Unidos da América (EUA).

Nicolas Maduro respondeu à declaração do Grupo de Lima, rejeitando todas as críticas de falta de legitimidade, e acusando o Parlamento da Venezuela de falta de patriotismo, dizendo que os críticos do seu Governo incorrem no “crime de traição à pátria”.

Nicolas Maduro foi reeleito para um novo mandato presidencial nas eleições de 20 de maio, com 67% dos votos, mas no dia seguinte a oposição questionou os resultados e apresentou provas de irregularidades no ato eleitoral. O governo dos EUA já se solidarizou com o Parlamento venezuelano, afirmando, no passado sábado, que é a única instituição no país a quem reconhece legitimidade democrática. Também a União Europeia não reconheceu as eleições de maio de 2018, juntando as suas críticas a numerosos países e deixando Maduro isolado internacionalmente. Em novembro passado, a União Europeia prolongou as sanções a Caracas por mais um ano, embargando a venda de armas e de todo o material que possa servir ao Governo de Maduro para reprimir a oposição interna.

Avaliação do Polígrafo:

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.
Verdadeiro