Na imagem, podemos verificar um suposto selo com vários navios portugueses, a ilustrar o período dos Descobrimentos, e a seguinte alegação: “Correios do Japão fazem emissão de selos comemorativos dos 450 anos da abertura do porto de Kochinotsu pelos navegadores portugueses. Se fosse a transferência de qualquer futebolista ou uma selfie do Doutor Marcelo, estava na primeira página de todos os jornais…”.

O autor do post deixa ainda uma sugestão como nota final: “Este selo deveria ser enviado ao ‘sr. ‘ Ascenso Simões, ao ‘sr.’ Mamadou Ba e à ‘sra. professora cientista’ Joana Cabral, para que possam adquirir toda a edição dos selos e fazer com eles um auto de fé, no Largo Camões, com a presença da ‘artista’ Catarina Martins acolitada pelas irmãs Mortágua”.

Mas será verdade que os correios japoneses emitiram mesmo estes selos?

Sim, mas esta emissão comemorativa não é de agora. Ao contrário do que sugere a publicação em causa, a distribuição destes selos remonta a 2012, ano em que, efetivamente, se assinalaram 450 anos da inauguração do porto de Kochinotsu, em Minamishimabara, por navegadores portugueses.

Esta data foi, de resto, lembrada pela embaixada portuguesa em Tóquio, com sucessivos artigos relativos às “Celebrações dos 450 Anos em MinamiShimabara” – todos eles publicados entre julho e outubro de 2012.

A emissão dos selos é ainda confirmada pelo então embaixador de Portugal em Tóquio, José Freitas Ferraz. “Em 2012, os correios do Japão decidiram associar-se às comemorações dos 450 anos da chegada de um navio português ao Porto de Kochinotsu. Esse porto fica na ilha de Kyushu, onde fica igualmente a cidade de Nagasaki, fundada pelos portugueses”, explica Ferraz, em declarações ao Polígrafo.

E acrescenta: “No navio que chegou Kochinotsu ia o padre Luís de Almeida, que introduziu a medicina ocidental no Japão, fundou o primeiro hospital e a primeira escola de medicina. Foi ele igualmente que fez as primeiras cirurgias”. Existe, aliás, em Oita, na ilha de Kyushu, um Hospital Luís de Almeida, que Ferraz confirma ser “propriedade da Ordem dos Médicos do Japão”.

Quanto aos selos, o ex-embaixador diz não saber ao certo quantos foram emitidos. Ainda assim, ressalva que “no Japão, onde os jornais têm edições de vários milhões, a edição foi certamente superior ao que seria feito em Portugal”. Ferraz diz ainda que “os selos comemorativos podem ser usados na correspondência normal”, mas que se destinam “essencialmente a colecionadores”.

Em suma, é verdade que o Japão emitiu estes selos comemorativos, ao assinalar 450 anos da abertura do porto de Kochinotsu por navegadores portugueses. Ainda assim, esta comemoração aconteceu há quase nove anos, em 2012, e não recentemente. Além disso, estabelecer uma ligação entre esta medida e a discussão em torno da destruição de monumentos históricos representativos da época dos Descobrimentos pode induzir em erro, levando a leitor a crer que esta é uma decisão atual dos correios japoneses.

__________________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Siga-nos na sua rede favorita.
Verdadeiro, mas...
International Fact-Checking Network