A vitória da seleção do Brasil de futebol teve um sabor agridoce para Jair Bolsonaro: por um lado teve a felicidade de viver a vitória do seu país no maior torneio de futebol da América do Sul, a Copa América; por outro teve de lidar com os muitos apupos e vaias que recebeu quando desceu ao relvado para entregar as medalhas aos jogadores.

Mas contradizendo as notícias, começou a circular nas redes sociais, dias depois do jogo, um vídeo em que Bolsonaro surgia no meio de uma ovação em que uma multidão lhe chamava “Mito”, gritando “Bolsonaro a presidente”. Associado à publicação vinha a descrição de que se tratava de um vídeo captado no dia 7 de julho de 2019, à saída do estádio Maracanã e que tinha sido propositadamente ocultado pelos meios de comunicação.

“Presidente Bolsonaro sendo ovacionado na saída do Maracanã hoje dia 07/07/19”, pode ler-se numa publicação que reforça que “a esquerda vem dizer que ele foi vaiado, a esquerda além de ladrões são ridículos”. Também o canal Globo é apontado em vários posts como responsável por ter ocultado este momento de êxtase do presidente brasileiro de forma propositada.

Porém, o vídeo não foi captado nem no dia 7 de julho de 2019, nem no estádio Maracanã, nem tem nada a ver com a Copa América. A plataforma de fact-checking Boatos.org identificou o instante a que correspondem as imagens: trata-se de um momento em que Jair Bolsonaro – ainda pré-candidato às presidenciaischegava ao aeroporto de Fortaleza, no Ceará, quando foi recebido pelos seus apoiantes no âmbito de um evento da campanha.

Porém, o vídeo não foi captado nem no dia 7 de julho de 2019, nem no estádio Maracanã, nem tem nada a ver com a Copa América.

No vídeo falso que está a ser partilhado surgem publicidades a companhias aéreas e rent-a-car, assim como uma faixa a dizer “Bolsonaro” que levanta suspeitas sobre o verdadeiro contexto da gravação. Além disso, desde que Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira no decorrer de uma campanha eleitoral, o agora presidente tem evitado frequentar locais com grandes multidões, o que significa que dificilmente aquele momento teria sido filmado este ano.

Desde que Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira no decorrer de uma campanha eleitoral, o agora presidente tem evitado frequentar locais com grandes multidões.

O presidente brasileiro tinha dito à comunicação social, dias antes do jogo – a 5 de julho – que pretendia “não só ir assistir à final do Brasil com o Peru” mas também, se houvesse condições de segurança para tal, ir “com o Sérgio Moro junto ao gramado [relvado]” a fim de fazer um teste de popularidade. “O povo vai dizer se estamos certos ou não”, acrescentou após um evento no Batalhão da Guarda Presidencial que aconteceu em Brasília. O momento em que Jair Bolsonaro chegou ao relvado ficou marcado por apupos e vaias, havendo também quem tentasse abafar com palmas – sem sucesso – os protestos dos espetadores.

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