A antecipar as autárquicas deste outono, Isaltino Morais, atual presidente e candidato à Câmara Municipal de Oeiras (CMO), esteve presente, por várias vezes, no centro de vacinação de Carnaxide. O objetivo passa por promover o seu movimento "Isaltino Inovar Oeiras de Volta", através da distribuição de brindes e da transmissão de alguns vídeos de propaganda a obras realizadas durante mandatos anteriores.

A 3 de junho deste ano, o Iniciativa Liberal de Oeiras divulgou uma série de tweets direcionados a Isaltino Morais. Nas publicações, o autarca é acusado de aproveitamento político, uma vez que há "mais de 100 centros de vacinação rápida distribuídos pelo país" e esta é uma iniciativa "da task force do Plano de Vacinação e não uma iniciativa da Câmara de Oeiras, nem um favor que o executivo de Isaltino Morais nos faz".

Neste sentido, os liberais denunciaram um "aproveitamento político, feito através de uma abusiva e imoral propaganda a Isaltino Morais e à sua marca Oeiras Valley, no processo de vacinação".

Entre os exemplos enumerados pelo núcleo liberal de Oeiras estão "vídeos de propaganda ao regime 'Oeiras Valley' em loop nas televisões da sala de espera - espaço onde os utentes são obrigados a aguardar, abusando a CMO e muito do seu papel de auxiliar no processo de vacinação" e a "oferta de um kit de cinco máscaras, álcool gel e de um livro de propaganda, tudo com um custo exorbitante devido à personalização 'Oeiras Valley' de todos os materiais".

Mas será verdade que o movimento de Isaltino recolheu assinaturas à entrada do centro de vacinação contra a Covid-19 em Carnaxide?

Ao Polígrafo, o Gabinete de Isaltino Morais confirma a presença em Carnaxide, mas alerta para o facto de as assinaturas serem recolhidas "à porta de Igrejas, de centros comerciais, de supermercados, de cafés, de saídas de estações, em paragens de autocarros e, naturalmente, no centro de vacinação porque se trata de um espaço de grande afluência de pessoas".

"As assinaturas estão a ser recolhidas na rua, onde é suposto fazer-se. Só faz más interpretações quem porventura não gosta da democracia e da participação pública", sustenta o Gabinete do atual presidente da CMO.

Em resposta às críticas que apontam para um possível aproveitamento de um problema de saúde pública, Isaltino garante que se trata apenas de "bancas na proximidade de um equipamento de grande afluência de pessoas e, naturalmente, um bom local para recolha. É pena não termos no concelho a disputa do campeonato de futebol porque também aí estaríamos".

"As assinaturas estão a ser recolhidas na rua, onde é suposto fazer-se. Só faz más interpretações quem porventura não gosta da democracia e da participação pública".

"A candidatura de Isaltino Morais não está a recolher assinaturas dentro de nenhum equipamento público, mas sim fora, em espaços públicos, em locais onde há afluência de pessoas", conclui o Gabinete.

Relativamente à distribuição de brindes no centro de vacinação, a Câmara Municipal de Oeiras garante que "apenas distribui um kit com material de proteção individual, com máscaras, álcool gel, à semelhança de outros concelhos, bem como água e um bolo/bolachas".

Esta afirmação é, no entanto, complementada por um artigo de 21 de junho do jornal Observador, que refere que "quem é vacinado pela primeira vez recebe um saquinho de papel também ele totalmente personalizado com a marca 'Oeiras Valley'", tal como tinha já mencionado o Iniciativa Liberal.

Durante a passada quarta-feira, Isaltino Morais anunciou na sua página de Facebook que teve que suspender a recolha de assinaturas, na sequência de "dificuldades suscitadas" pelo Tribunal Constitucional "na continuidade da utilização da mesma denominação de 2017 do Grupo de Cidadãos Eleitores Isaltino – Inovar Oeiras de Volta", bem como "dificuldades na relação com o Instituto de Registos e Notariado, para estabelecimento de contactos céleres".

Em declarações ao Polígrafo, o Gabinete de Isaltino garante que tinha já recolhido cerca de 4.000 assinaturas no total do concelho, que ficam agora inutilizadas. "Por muitas dificuldades que nos surjam pelo caminho, a convicção e a vontade dos Oeirenses no fortalecimento desta candidatura deixa-nos tranquilos quanto à recolha das cerca de 10 mil assinaturas necessárias para a Câmara e Assembleia Municipal", garante o Gabinete.

Dois dias depois, na sexta-feira, dia 2 de julho, o movimento independente de Isaltino Morais retomou a recolha de assinaturas em Oeiras para as próximas eleições autárquicas após terem sido ultrapassados "problemas burocráticos" que levaram à suspensão.

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Avaliação do Polígrafo:

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