"É que os pobres têm uma certa tendência natural para o gastar mal gasto". Esta é a citação atribuída à presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Isabel Jonet, que tem sido difundida viralmente nas redes sociais desde há semanas.

Chegou mesmo a ser partilhada por um ex-ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, a 12 de setembro, associada ao seguinte comentário do próprio: "Eles não mudam. Nunca mudarão."

Mas o facto é que se trata de uma citação apócrifa. Jonet não proferiu tal afirmação, ou pelo menos não há registo público de que o tenha dito ou escrito.

Na origem do equívoco estarão recentes declarações da presidente do Banco Alimentar contra a Fome à Agência Lusa, a propósito do apoio de 125 euros atribuído pelo Estado aos cidadãos (excluindo os pensionistas) para ajudar a enfrentar a inflação.

"Quando se atribui uma ajuda deste tipo, única, é importante fazer uma pedagogia e explicar às pessoas que não podem ir gastar estas verbas todas de uma só vez, até porque isso pode ter um efeito que é contrário ao nível da inflação", afirmou Jonet, citada pela Agência Lusa, advertindo que um aumento da procura de determinados produtos pode levar ao aumento dos respetivos preços.

Nas declarações que prestou à Agência Lusa, a presidente do Banco Alimentar contra a Fome começou por referir que perante a situação das famílias que passam mais necessidades, "todas as ajudas são muito bem-vindas" e que o pagamento de 125 euros a todas as pessoas que ganhem mensalmente até 2.700 euros brutos "vem compensar um pouco os acréscimos dos produtos básicos", como a alimentação, o gás, a luz ou o valor da renda de habitação.

Sublinhou, no entanto, que se trata de uma ajuda única, paga apenas no mês de outubro, quando a perspetiva futura é de que o valor da inflação não diminua e que, por isso, as famílias continuem a ter necessidades.

Admitiu que é uma medida "muito boa neste momento", mas demonstrou dúvidas sobre se é ou não a mais adequada em termos estruturais, já que "é um alívio imediato".

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