Em entrevista ao jornal "Expresso", publicada no dia 16 de setembro, Isabel Camarinha garantiu que a CGTP defenderá pensões "com tudo o que for possível". A secretária-geral da Intersindical que convocou um mês de luta diz querer "que os trabalhadores tenham oportunidade de reivindicar o que precisam face a este brutal aumento do custo de vida".

Questionada sobre se há condições para que essas lutas sejam "eficazes", Camarinha disse que "os trabalhadores estão mobilizados e as grandes empresas têm todas as condições do mundo para garantir salários dignos". A dirigente sindical realçou ainda que, de acordo com os cálculos da CGTP, "só no primeiro trimestre deste ano, 21 grandes grupos económicos tiveram mais de 4,2 mil milhões de euros de lucros".

Para Camarinha, estes "são números que escandalizam qualquer um" já que "os trabalhadores empobrecem a trabalhar e as grandes empresas, apenas num semestre, têm lucros que ultrapassam as medidas que o Governo diz que já tomou e que foram de eficácia muito reduzida".

O Polígrafo contactou a CGTP no sentido de ter acesso à informação sobre as empresas destacadas, bem como à origem dos relatórios utilizados para consulta: tratam-se de grupos relacionados com a banca, energia e telecomunicações, comunicação social, comércio e serviços, indústria do cimento, papel, pasta de papel e cortiça, concessão de auto-estradas e construção civil e obras públicas.

No setor da banca, Caixa Geral de Depósitos (486 milhões de euros), Millennium BCP (74,5 milhões de euros), Novo Banco (266,7 milhões de euros), Santander Totta (241 milhões de euros) e BPI (201 milhões de euros) acumulam um lucro total de quase 1.270 milhões de euros - um crescimento significativo face aos 711 milhões de euros de lucros no mesmo período do ano passado. Também na energia e nas telecomunicações os lucros ultrapassaram, em seis grupos económicos, os mil milhões de euros. Entre eles estão EDP (306 milhões de euros), EDP renováveis (265 milhões de euros), REN (46 milhões de euros), Galp energia (420 milhões de euros), NOS (85,3 milhões de euros) e CTT (14,5 milhões de euros).

No que respeita ao setor da comunicação social, grupo Media Capital (40,8 milhões de euros) e Cofina (3,3 milhões de euros) somam lucros de quase 45 milhões de euros, um valor quase insignificante face aos lucros obtidos pelas duas principais empresas em comércio e serviços: Sonae (118 milhões de euros) e Jerónimo Martins (261 milhões de euros).

Na indústria do cimento, papel, pasta de papel e cortiça, juntam-se à Semapa (141,5 milhões de euros) empresas como a Navigator (161,9 milhões de euros), a Altri (69,6 milhões de euros) e a Corticeira Amorim (48 milhões de euros), com um lucro total de 421 milhões de euros. Também a Brisa, no setor das autoestradas, conseguiu lucros de 92 milhões de euros. Por fim, a Mota-Engil, empresa com destaque nos setores da construção civil, obras públicas, operações portuárias, resíduos, águas e na logística, alcançou no primeiro semestre deste ano lucros de 12 milhões de euros.

Importa ressalvar que há diferenças entre os valores encontrados pelo Polígrafo e aqueles utilizados como referência para os cálculos da CGTP. Por exemplo, relativamente à Galp Energia, o sindicato teve em conta resultados antes de ser subtraído o interesse minoritátio, ou seja, a parte dos resultados líquidos e dos ativos líquidos da empresa que não é atribuível à sua detentora.

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Avaliação do Polígrafo:

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