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“Integrem-se ou saiam”, responde autarca canadiano a muçulmanos que exigem proibição de carne de porco nas escolas

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
É uma publicação viral com milhares de partilhas e comentários no Facebook. Conta a história de "pais muçulmanos que exigiram a remoção de carne de porco em todas as cantinas das escolas" e da resposta do presidente da Câmara de Dorval, no Canadá, que terá respondido que "os muçulmanos devem perceber que devem integrar-se e aprender a viver no Quebec" (província do Canadá) e, caso contrário, "não temos espaço para si e para a sua ideologia" e "prepare-se para sair".

Pais muçulmanos exigiram a remoção de carne de porco em todas as cantinas das escolas em Montreal e seus subúrbios. O presidente da Câmara de Dorval, um subúrbio de Montreal, recusou e enviou uma nota a todos os pais para explicar o porquê. ‘Os muçulmanos devem estar cientes de que devem adaptar-se ao Canadá e ao Quebec e os seus costumes, tradições e o seu modo de vida’. ‘Os muçulmanos devem perceber que devem integrar-se e aprender a viver no Quebec. Eles precisam de mudar o estilo de vida, não os canadianos que os acolheram tão generosamente'”, lê-se no post de 10 de agosto no Facebook, remetido ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

“‘Tal como outras pessoas, os canadianos não estão prontos para abrir mão da sua identidade e da sua cultura’. ‘Finalmente, eles devem entender que, no Canadá (Quebec), com as suas raízes judaico-cristãs, árvores de natal, igrejas e feriados religiosos, a religião deve continuar a ser uma questão pessoal. O município de Dorval tem o direito de negar quaisquer descontos ao Islão e à Sharia‘”, terá respondido o autarca.

“‘Para os muçulmanos que discordam do laicismo e não se sentem confortáveis no Canadá, existem 57 países muçulmanos maravilhosos no mundo, a maioria deles é mal povoada e pronta para aceitá-los de braços abertos segundo a Sharia‘. ‘Se deixaste o teu país para o Canadá, não para outros países muçulmanos, é porque acreditaste que a vida no Canadá era melhor do que noutro lugar. Não vamos permitir que você derrube o Canadá ao nível desses 57 países‘”, acrescenta-se no texto.

“‘Se viesse ao Canadá com a ideia de que nos iria deslocar com a sua prolífica propagação e eventualmente tomar conta do país, teria de fazer as malas e voltar para o local de onde veio. Não temos espaço para si e para a sua ideologia. Se você aceita a situação, fique. Se não, então prepare-se para sair‘”, conclui-se.

A verdade é que esta história tem sido difundida nas redes sociais (e através de correntes de e-mail) desde 2015, em múltiplos países e línguas. Ao ponto viral de ter obrigado, nesse mesmo ano, o município canadiano de Dorval a emitir uma nota em que “denuncia a notícia falsa que circula na Internet“.

Nessa nota garante-se que a história é completamente falsa e que nem o mayor, nem qualquer outro representante do município de Dorval, proferiu tais afirmações.

Mais, salienta-se que uma história similar já tinha circulado anteriormente, mas em referência a um autarca da Bélgica.

De facto, esta história falsa tem ressurgido em vagas nas redes sociais ao longo dos anos, adaptada a diferentes versões e línguas. Além dos autarcas do Canadá e da Bélgica, também já foi difundida com as mesma citações atribuídas a um autarca da Austrália.

Em suma, não tem qualquer fundamento. Pimenta na língua dos mentirosos.

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Avaliação do Polígrafo:

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