A acusação circula nas redes sociais e nela diz-se que uma instituição que produz testes de deteção da Covid-19 participou no planeamento da pandemia que já matou mais de 700 mil pessoas em todo o mundo. “A base da pandemia são os testes de deteção do falso vírus, fabricados por uma instituição que esteve no planeamento desta", lê-se no texto.

A referida publicação é acompanhada por duas imagens. De um lado está o suposto logótipo do Charité, hospital universitário de Berlim, um dos maiores da Europa. Do outro, está a fotografia de um peluche que terá sido alegadamente oferecido aos participantes no "evento de exercício de pandemia virtual"O autor da publicação pede a quem o lê que repare também "na etiqueta do peluche", dando a entender que o desenho que lá aparece é igual ao do símbolo do hospital.

Covid-19 peluche

A publicação foi denunciada pelos utilizadores do Facebook como sendo falsa ou enganadora. Terá havido um evento de preparação da pandemia que contou com a participação de uma instituição que desenvolve testes de deteção da Covid-19?

Dois meses antes do aparecimento do novo coronavírus, o Event 201 (cujo nome aparece na etiqueta do peluche) simulou “um surto de um novo coronavírus transmitido de morcegos para porcos e de porcos para pessoas que eventualmente tornaram eficiente a transmissão de pessoa para pessoa”, de acordo com descrição apresentada na página oficial. O evento foi organizado pelo Johns Hopkins Center for Health Security, pelo World Economic Forum e pela Bill & Melinda Gates Foundation.

Numa ação de promoção, em 16 de outubro de 2019, a John Hopkins Center for Health Security partilhou no Twitter uma imagem do peluche e apelou ao registo de todos os interessados no evento virtual.

Event 201

No dia 24 de janeiro de 2020, a instituição emitiu um comunicado esclarecendo que o evento não tinha consistido numa simulação do SARS-CoV-2: “O Center for Health Security e os parceiros não fizeram uma previsão durante o exercício. Para o cenário, modelámos uma pandemia de coronavírus fictícia, mas declaramos explicitamente que não era uma previsão”.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) exclui qualquer possibilidade de o novo coronavírus ter sido criado ou planeado por humanos. No site oficial da OMS explica-se que "a Covid-19 é a doença infeciosa causada pelo coronavírus mais recentemente descoberto" e que "o vírus e a doença eram desconhecidos antes do início do surto em Wuhan, na China, em dezembro de 2019".

O alegado logótipo do Charité exibido na publicação também é falso. O verdadeiro símbolo do hospital universitário de Berlim não tem qualquer imagem, nem desenho de um vírus microscópico. A imagem usada no Facebook aparece apenas numa página de informações sobre a Covid-19 no site da referida instituição de saúde.

Charité

Podemos assim concluir que a publicação que garante que o Johns Hopkins Center for Health Security participou num evento para planear a Covid-19 difunde falsidades. O instituto fez parte da organização do Event 201 que serviu para simular uma pandemia provocada por um putativo novo coronvírus que ainda não existia.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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