Uma série de imagens divulgadas esta terça-feira, 12 de abril, na página oficial no Facebook do Partido Comunista Português, mostra o porquê de ser "urgente o aumento extraordinário das pensões que defenda o poder de compra" dos portugueses: Com a inflação nos 1,3%, em 2021, o Governo deu dez euros aos pensionistas, o mesmo valor atribuído em 2022 quando a inflação já atingiu os 5% até março.

"É necessário um aumento extraordinário das pensões que enfrente a perda do poder de compra dos reformados, que não tem resposta na anunciada proposta de aumento de dez euros, que o Governo PS deveria ter concretizado em janeiro de 2022, e que por opção do PS foi transformada numa operação de chantagem eleitoral. O cumprimento que o Governo diz agora concretizar não responde à situação que hoje se vive", escreveram os comunistas no post, recuando ao chumbo o Orçamento do Estado para 2022 que culminou numa maioria absoluta socialista.

"As atualizações das reformas registadas em janeiro situaram-se entre 0,24 e 1%. Na sequência da escalada de aumentos dos preços já registados a subida da inflação já se dá como certa venha a atingir um valor anual acima dos 5%, 5 a 20 vezes superior ao aumento das pensões em janeiro. Uma pensão de 600 euros já perdeu até março 30 euros, com um corte que a reduz para 570 euros. Não se pode aceitar, como defende António Costa, que sejam os salários e as reformas e não os lucros especulativos a servir injustamente de travão à inflação".

No mesmo dia, 12 de abril, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgava que, no mês de março, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) tinha aumentado para 5,3%, uma taxa superior em 1,1 pontos percentuais (p.p.) à observada no mês anterior. Este é, destaca o INE, "o valor mais elevado desde junho de 1994".

"Uma pensão de 600 euros já perdeu até março 30 euros, com um corte que a reduz para 570 euros. Não se pode aceitar, como defende António Costa, que sejam os salários e as reformas e não os lucros especulativos a servir injustamente de travão à inflação".

A variação mensal do IPC foi, assim, de 2,5% (0,4% no mês precedente e 1,4% em março de 2021) e a variação média dos últimos doze meses foi de 2,2% (1,8% em fevereiro). A taxa é ainda inferior em 2,0 pontos percentuais (p.p.) ao valor estimado pelo Eurostat para a área do Euro, "refletindo sobretudo diferenças apreciáveis no comportamento dos preços dos bens energéticos, em particular da eletricidade.

Em 2021, por outro lado, o Índice de Preços no Consumidor registou uma variação média anual de 1,3%, tal como nota o PCP, "sucedendo a uma variação nula registada no conjunto do ano de 2020". Em dezembro desse ano, "o IPC registou uma variação homóloga de 2,7%, taxa superior em 0,1 pontos percentuais à observada em novembro".

  • Aumento de 10 euros nas pensões permite compensar a subida prevista da inflação?

    Fernando Medina afirmou que o aumento extraordinário das pensões até 1.108 euros por mês é uma medida “da maior importância” porque vai permitir aos pensionistas fazer face aos aumentos dos preços dos bens de consumo “com um pouco mais de dignidade”. Mas será que esta subida das pensões é suficiente para compensar o valor previsto para a subida da inflação?

No que respeita às pensões, a recém apresentada proposta de Orçamento do Estado para 2022 recuperou o aumento extraordinário de dez euros nas pensões mais baixas e terá efeitos retroativos a janeiro. Já em 2021, este aumento totalizou os dez euros para todas as pensões até 1,5 IAS [Indexante de Apoios Sociais] e dele beneficiaram quase dois milhões de pensionistas.

Esta foi "a medida com maior impacto na despesa permanente do orçamento para 2021, com um custo anual de 270 milhões de euros", destacou João Leão, à data ministro das Finanças, na abertura do segundo dia de debate na generalidade da proposta do Governo para Orçamento do Estado para 2021.

__________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.
Verdadeiro
International Fact-Checking Network