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Síndrome pulmonar por hantavírus é um dos 1.233 efeitos colaterais da vacina contra a Covid-19 relatados pela Pfizer?

Saúde
O que está em causa?
Um surto de hantavírus num navio no Atlântico que já fez pelo menos três vítimas mortais... e trouxe às redes sociais teorias antigas sobre a vacina contra a Covid-19. Agora, diz-se que a Pfizer terá apontado para a infeção por hantavírus como um dos mais de 1.200 efeitos colaterais graves da sua vacina. Será?

Circula nas redes sociais a alegação de que a Pfizer terá publicado uma lista com mais de 1.200 efeitos colaterais graves da sua vacina contra a Covid-19, entre os quais figuraria a infeção respiratória por hantavírus. “Hantavírus está listado no documento de 38 páginas da Pfizer. Página 33. É um dos 1.233 efeitos colaterais listados. Então agora a vacina da Covid vai transformar-se num vírus?”, lê-se num “tweet” divulgado ontem de manhã. A ideia é estabelecer uma ligação entre a vacina contra a Covid-19 e o surto de hantavírus num navio no Atlântico que já vitimou pelo menos três pessoas… mas será que os documentos o comprovam?

Não. Desde logo porque a Pfizer nunca listou 1.233 efeitos colaterais da vacina contra a Covid-19. Em causa o documento “Análise Cumulativa de Relatórios de Eventos Adversos Pós-Autorização de PF-07302048 (BNT162B2) recebidos até 28 de fevereiro de 2021″, que relata complicações associadas à vacinação contra o coronavírus. No primeiro apêndice do documento surge a referência a uma série de “eventos adversos de interesse especial” (AESI, na sigla em inglês) e é precisamente a partir daqui que é criada a falsa narrativa, já que, e tal como o Polígrafo escreveu em 2023, estes “eventos” não são efeitos colaterais ou secundários confirmados, mas sim reações hipotéticas a que os investigadores deveriam estar atentos. Entre os vários “eventos” surge, efetivamente, a infeção pulmonar por hantavírus.

À AFP, em março de 2022, Aurélie Grandvuillemin, vice-chefe do Centro Regional de Farmacovigilância (CRPV) da região francesa da Borgonha, explicou que “esta não é, de forma alguma, uma lista de efeitos adversos reportados da vacina da Pfizer-BioNTech, mas um compilado de eventos adversos de interesse especial […], de manifestações médicas identificadas a priori como possivelmente associadas à administração de uma vacina e que serão especificamente monitoradas após a comercialização de qualquer vacina, contra a covid ou outra doença”.

No próprio documento da farmacêutica especifica-se que os eventos adversos notificados não foram necessariamente causados pela vacina da Pfizer: “Os eventos adversos de interesse especial incluem eventos de interesse devido à sua associação com a Covid-19 grave e eventos de interesse para vacinas em geral.”

Assim, afirmar que “a vacina da Covid-19 vai transformar-se num vírus” é falso: não só a Pfizer não divulgou “1.233 efeitos colaterais da vacina contra a Covid-19” como também não é verdade que a infeção pulmonar por hantavírus seja um destes efeitos. Esta narrativa resulta de uma leitura errada do documento divulgado pela farmacêutica.

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Avaliação do Polígrafo:

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