“Senhor Primeiro-Ministro, há um número que deixou de fora da sua intervenção e é um ‘recorde’ que, infelizmente, este ano bateu. Ardeu o número maior [de hectares] de todos os anos da nossa floresta, foram 250 mil hectares”, afirmou Inês Sousa Real, deputada e líder do PAN, ao confrontar hoje o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, em debate no Parlamento.
Para depois sublinhar: “É o equivalente a que todo o Luxemburgo tivesse ardido. E portanto é este o património natural que perdemos este ano.”
A alegação sobre o “recorde” tem fundamento?
Não. De acordo com as últimas estimativas do Sistema Europeu de Informação sobre os Fogos Florestais (EFFIS), no presente ano de 2025 já arderam cerca de 269 mil hectares em Portugal.
Por seu lado, o último relatório do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) aponta para cerca de 250 mil hectares.
Independentemente do número exato de hectares – a discrepância resulta de diferentes metodologias -, o facto é que ainda assim não supera a área ardida registada em vários outros anos.
Os dados estatísticos do SGIFR indicam que o verdadeiro “recorde” foi estabelecido em 2017, com cerca de 540 mil hectares de área ardida. Mais do dobro em comparação com o ano de 2025, até ao momento.
Em 2005 já tinha alcançado a marca de cerca de 347 mil hectares e em 2003 ascendera a mais de 471 mil hectares.
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Avaliação do Polígrafo:
