"Neste momento, o nosso país está, de facto, com maior risco", afirmou ontem a ministra da Saúde, Marta Temido, em entrevista à TVI, referindo-se ao aumento da taxa de incidência e do índice de transmissibilidade de Covid-19 patentes na matriz de risco.

"À medida que nós temos mais casos por dia, aquela bolinha sobe na vertical. À medida que nós temos um risco de transmissão maior por dia, aquela bolinha desloca-se na direção do vermelho. E portanto, estes são dois indicadores, a matriz de risco que nós adoptámos tem mais indicadores", declarou Temido, apontando para a matriz de risco (atualizada a 5 de julho) visível num ecrã.

Questionada depois sobre se "aquela bola ainda vai mexer-se mais para uma zona complicada, para uma zona ainda mais encarnada", a ministra da Saúde respondeu da seguinte forma: "Para se ter uma percepção, nós já estivemos numa zona, em janeiro, em fevereiro, que nem sequer cabia naquele quadradinho. Que estava para lá dos 240 casos por 100 mil habitantes. Não queremos voltar a uma situação desse género".

Confirma-se que a taxa de incidência de Covid-19 no início de 2021 superou o limite máximo de 240 casos por 100 mil habitantes da matriz de risco?

A ministra da Saúde referia-se ao eixo vertical da incidência, consistindo no número de novos de casos de infeção por Covid-19 nos últimos 14 dias por 100 mil habitantes.

Os dados referentes a tal indicador estão disponíveis na página do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), atualizados até à 25.ª semana de 2021.

De facto, entre a 43.ª semana de 2020 e a 7.ª semana de 2021, o número de novos de casos de infeção por Covid-19 nos últimos 14 dias por 100 mil habitantes em Portugal foi sempre superior a 240, o limite máximo do eixo da incidência que foi posteriormente estabelecido na matriz de risco.

Na quarta semana de 2021, final de janeiro, registou-se mesmo um pico de 1649,4 casos (últimos 14 dias) por 100 mil habitantes em Portugal. Entre março e maio baixou para menos de 100 casos, mas no final de junho e início de julho voltou a superar a fasquia da centena de casos. Na primeira semana de julho chegou mesmo a 168,8 casos, aproximando-se do limite máximo de 240 casos.

Confirma-se assim que a afirmação em causa de Marta Temido é factualmente correta. A taxa de incidência de Covid-19 no início de 2021 superou o limite máximo de 240 casos por 100 mil habitantes da matriz de risco. Aliás, superou largamente, chegando mesmo a um pico de 1649,4 casos.

Sublinhe-se, porém, que esses números acima de 240 já se verificavam desde outubro de 2020, não se limitando a janeiro e fevereiro de 2021. Acima de um milhar, aí sim, apenas nos dois primeiros meses de 2021.

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Avaliação do Polígrafo:

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