O shutdown do Governo norte-americano devido à recusa, pela Câmara dos Representantes, de financiar o muro que Donald Trump quer continuar a construir ao longo da fronteira com o México, tem sido a inspiração para centenas de notícias, a maioria das quais verdadeiras – a maioria, mas não a totalidade, porque a propaganda e a contrapropaganda, sobretudo nas redes sociais, estão a níveis muito elevados.

Recentemente um post no Facebook alegava: “No 11 de Setembro de 2001, 2996 pessoas morreram. Desde 2001, 63.000 de nós morreram devido a ataques de imigrantes ilegais”. O número de mortos do ataque terrorista do 11 de Setembro, referidos no texto acima citado, inclui os 19 terroristas que desviaram os aviões.

De acordo com um artigo do Washington Post, o número de 63 mil mortes foi referido em Junho de 2018 pelo Presidente dos Estados Unidos num evento em Washington DC. Já tinha sido anteriormente mencionado em Março do mesmo ano, numa conversa entre Trump e a mãe de um sargento americano morto num acidente de trânsito originado por um imigrante ilegal. Porém, não foi Trump o primeiro a utilizar pela primeira vez o fantasma dos 63 mil mortos com o objetivo de disseminar a desconfiança dos americanos em relação aos imigrantes. Foi em 2005, num artigo de um blog escrito por Steve King, político republicano conhecido por ser opositor da imigração e autor de várias posições polémicas sobre a questão racial. A fonte que utilizou para defender a sua tese numérica? Nenhuma.

O site de fact-checking norte-americano Polifact questionou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras dos EUA sobre o conteúdo do post no Facebook. Os relatórios que lhe foram fornecidos com dados de homicídios cometidos por imigrantes ilegais nos dois últimos anos são esclarecedores. Em 2017 houve detenções relacionadas com 1886 homicídios. Já em 2018, verificou-se um registo de detenções por 2028 homicídios. No entanto, estas mortes não são especificamente relativas a estes anos, ou seja, podem ter ocorrido anteriormente. Referem-se sim, ao número de detenções de imigrantes pela alegada prática deste crime.

Este valor “já foi demonstrado por várias vezes ser infundado, absolutamente impossível ao ponto de ser absurdo”, afirmou uma professora de Ciência Política da Universidade de Syracuse

Ao mesmo jornal online, Jessica Vaughan, Diretora de Estudos Políticos do Centro de Estudos de Imigração, explicou que não há qualquer registo do número de homicídios cometidos por imigrantes sem documentos. “Não sei onde foram buscar este número”, sublinhou.

Já o Diretor de Pesquisa do Instituto de Políticas de Imigração, Randy Capps, afirmou: “Não consigo pensar em nenhuma prova que sustente o número de 63 mil”. Por fim, uma professora de Ciência Política da Universidade de Syracuse, em Nova Iorque, revelou que este valor “já foi demonstrado por várias vezes ser infundado, absolutamente impossível ao ponto de ser absurdo”.

Avaliação do Polígrafo:

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