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Imagens partilhadas por Pedro Frazão provam uma “substituição populacional” em curso?

Política
O que está em causa?
A tese tem vindo a ser defendida por muitos militantes do partido liderado por André Ventura, inclusive por Pedro Frazão. O vice-presidente do Chega, com base em imagens que terão sido captadas na manhã de hoje, criticou quem pensa que a “substituição populacional é uma conspiração e a islamização não está em curso”. Porém, optou por não referir que as mesmas foram tiradas no contexto de um evento específico: a celebração do fim do Ramadão, na cidade do Porto.

Pedro Frazão, vice-presidente do Chega, partilhou no X/Twitter imagens que exibem um aglomerado de indivíduos, supostamente de crença islâmica, no que aparenta ser um evento organizado. Imagens essas que, segundo acrescentou, terão sido captadas esta quarta-feira, em Portugal.

“A substituição populacional é uma conspiração e a islamização não está em curso. Isto são só ‘turistas’, hoje, numa localidade perto de si”, ironizou o deputado, questionando ainda: “Já agora, o que estes ‘turistas’ pensam sobre as ‘causas fraturantes’ dos seus amigos ocidentais progressistas?” 

 

Confirma-se a tese de Pedro Frazão?

À semelhança destas imagens, outras tantas têm vindo a circular online desde esta manhã, dando conta daquilo que seria uma celebração do Eid al-Fitr, ou seja, do fim do Ramadão, na cidade do Porto (aqui e aqui). Algo que teria ocorrido na União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, mais concretamente nas proximidades da Estação da Trindade, segundo destacou Shah Alam Kazol, presidente da Associação Comunidade do Bangladesh no Porto, num desses posts (onde se identificam, inclusive, imagens em tudo semelhantes às partilhadas pelo deputado do Chega). O dirigente desta associação enviou ainda ao Polígrafo um vídeo que comprova que este se tratou mesmo de um evento de natureza religiosa.

De facto, o presidente desta União de Freguesias, Nuno Cruz, confirma ao Polígrafo que, na manhã desta quarta-feira, decorreu neste local um “evento religioso para assinalar o fim do Ramadão”. Mais concretamente, a partir “das 7h” da manhã, “que é quando nasce o sol”. Um evento que foi organizado, acrescenta, pela Associação Comunidade do Bangladesh no Porto, após ter pedido autorização a esta União de Freguesias.

Também a “Câmara Municipal do Porto confirma a veracidade das imagens captadas” e difundidas por Pedro Frazão, acrescentando que a “celebração do fim do Ramadão, organizada pela Comunidade do Bangladesh no Porto, ocorre todos os anos, por esta altura, sendo habitual que a celebração decorra na cobertura da Estação de Metro da Trindade”. E conclui, apontando que “a Metro do Porto autorizou a iniciativa e que foi dado conhecimento prévio à PSP [Polícia de Segurança Pública] pela Comunidade do Bangladesh no Porto”.

O Metro do Porto confirmou igualmente ao Polígrafo ter “autorizado” este evento “na Estação da Trindade”, referente à “celebração do final do Ramadão, a pedido da Comunidade do Bangladesh no Porto e da União de Freguesias do Centro Histórico” e que “já se realiza neste espaço pelo terceiro ano consecutivo”. E acrescentou ainda: “O evento decorreu esta manhã, entre as 7h00 e as 9h30, num espaço ao ar livre, na cobertura da Estação da Trindade e sem que tenhamos registo de qualquer tipo de problema ou questão.”

 

 

 

 

 

 

 

A União de Freguesias do Centro Histórico do Porto cedeu ainda ao Polígrafo algumas imagens captadas no local (apresentadas acima). A fotografia partilhada pelo vice-presidente do Chega no X/Twitter é uma réplica quase exata das mesmas, pelo que consideramos que a sua publicação carece de contextualização para dar a entender aos leitores o evento exibido nas mesmas.

Até porque, segundo os dados do Censos de 2021 – o último realizado até à data –, contabilizava-se um total de 36.480 muçulmanos entre a população residente no país, de um total de 8.781.900 maiores de 15 anos. Contas feitas, tal corresponde a uma percentagem de apenas 0,42% dos cidadãos, pelo que não há qualquer fundamento para dizer que está a ocorrer uma “substituição populacional” em Portugal.

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Avaliação do Polígrafo:

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