"Fila hoje de manhã [13 de julho] para análises no IPO em Lisboa. Doentes de risco, num dia de Verão com temperaturas elevadas em que a fila dá a volta ao edifício, com muitas zonas sem sombra. Depois das análises, ainda se segue uma consulta e uma sessão de quimioterapia. (...) Aquilo que mais me surpreendeu foi o facto de na fila em questão estarem pessoas com cancro, de várias idades, provenientes de diversos locais do país, portanto já com algumas horas de viagem e em tratamentos, muitas delas visivelmente debilitadas", descreve-se numa das publicações em causa, denunciadas no Facebook como sendo falsas ou enganadoras.

E acrescenta-se: "Perto da hora de almoço tiveram que colocar enfermeiras a auxiliar pessoas que começaram a desmaiar na fila. O que é isto? Onde está a humanidade?"

Essas imagens de pacientes em fila na rua para serem atendidos no IPO de Lisboa são autênticas?

As denúncias multiplicaram-se nas redes sociais, sob a forma de vídeos e fotografias. Num dos vídeos partilhados pode ver-se um aglomerado de pessoas que, alegadamente, estaria a aguardar a sua vez para realizar análises. "Vocês têm de saber o que é que está aqui a acontecer. É uma vergonha. Vou fazer queixa. É desumano", afirma o autor da gravação.

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial do IPO de Lisboa informa que "devido à Covid-19 e às formas de transmissão do novo coronavírus, o IPO de Lisboa teve necessidade de limitar a circulação e a presença de pessoas no interior dos edifícios, incluindo o número de doentes que aguardam nas salas de espera, o que faz com que alguns doentes tenham de aguardar fora dos edifícios".

A mesma fonte reconhece que na segunda-feira, dia 13 de julho, pouco depois das 11h30m, verificou-se "uma repentina e momentânea aglomeração de 30/40 pessoas que iam fazer análises clínicas, situação que foi prontamente resolvida pelo secretariado clínico e pela segurança que rapidamente encaminharam as pessoas e acabaram com a fila".

E explica: "Tratou-se de uma situação pontual e que nunca teria acontecido se todos os doentes e acompanhantes pudessem aguardar nas salas de espera, com todas as condições de conforto, como sucedia antes da pandemia". Por outro lado, ressalva que não tem "conhecimento ou registo de que alguém tenha sido assistido por enfermeiros ou outros profissionais de saúde por 'desmaiar' na fila".

"Atentos à necessidade de alguns doentes aguardarem no exterior, em março passado foram instaladas tendas à entrada de todos os edifícios e temos continuado a adaptar as estruturas às contingências atuais, colocando cadeiras junto das entradas principais, de forma a garantir um maior conforto para todos os que têm de vir ao Instituto", assegura.

"O IPO lamenta o sucedido e reitera aos doentes, famílias e a todos os portugueses que podem continuar a contar com a dedicação e empenho dos profissionais do Instituto, que todos os dias se esforçam para prestar cuidados assistenciais de excelência, em segurança, com melhores condições de conforto e no respeito pelos direitos e preferências dos doentes. Queremos ainda esclarecer que, ao contrário do que foi referido em algumas publicações, os doentes com marcações para o Hospital de Dia de Quimioterapia e para o Serviço de Atendimento Não Programado não aguardam no exterior dos edifícios", conclui.

Em suma, ainda que a situação, de acordo com o IPO, tenha sido "prontamente resolvida", as imagens em causa de fotografias e vídeos são autênticas

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

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