"Esta foto ganhou o prémio de melhor foto da década. Infelizmente, levou o fotógrafo para a depressão", salienta-se no texto (a versão em língua portuguesa) das múltiplas publicações nas redes sociais que mostram a imagem em causa. Segue-se uma descrição: "As chitas perseguem uma mãe antílope e os seus dois filhos. A mãe poderia facilmente ter ultrapassado as chitas mas, em vez disso, ela ofereceu-se às chitas para que as crianças pudessem correr em segurança".

"Na foto, ela é vista olhando para os seus bebés correndo em segurança, enquanto ela está prestes a ser rasgada em pedaços. Moral: Nunca se esqueça dos seus pais, você não faz ideia de quantos sacrifícios eles fizeram você estar onde você está agora", conclui-se.

Esta história é verdadeira?

Não, é falsa. Quem o garante é a própria autora da imagem, Alison Buttigieg, que captou a fotografia em Maasai Mara, no Quénia, em 2013.

Buttigieg publicou um texto na sua página no Facebook, em fevereiro de 2017, através do qual desmentiu a narrativa - classificando-a até como fake news - que tem sido partilhada nas redes sociais em associação à fotografia. No entanto, quase cinco anos depois, a mentira continua a ser difundida.

"A minha fotografia 'Estrangulamento' tornou-se viral com uma história falsa e completamente ridícula a acompanhá-la", começou por escrever a fotógrafa de origem maltesa, residente na Finlândia, que aproveitou também para criticar "as violações grosseiras de direitos autorais" por parte de quem partilhou a imagem.

Fotógrafa desmente história

Para a fotógrafa, trata-se de uma questão de "sensacionalismo no seu melhor - ficção completa para que as pessoas recebam mais gostos nas suas páginas".

"A fotografia com a história falsa foi partilhada centenas de milhares de vezes em várias redes sociais. Estou a ser inundada por centenas e centenas de mensagens a perguntar-me se eu sou a fotógrafa deprimida. Fui marcada no LinkedIn com a história falsa - isso fará maravilhas pela minha carreira. Que mundo vil em que vivemos, cheio de pessoas estúpidas e ingénuas a espalhar fake news como loucas", concluiu Buttigieg em 2017.

Na mesma publicação, a fotógrafa deixou uma ligação para a sua página web profissional, onde descreve a verdadeira história da fotografia. Num breve texto de três parágrafos, Buttigieg conta que testemunhou o momento em que uma mãe chita ensinava as suas crias a caçar uma impala. Numa sequência de fotografias podemos ver as crias "a praticarem algumas habilidades", mas com alguma dificuldade em "estrangular a impala com eficácia".

Buttigieg sublinha que "o que é fora do comum nesta sequência de fotos é a calma da impala", explicando que o animal deveria estar "em estado de choque e, portanto, paralisada de medo".

De acordo com a verdadeira história contada pela autora da fotografia, a impala não estava a olhar para as suas crias ou a resistir para as salvar, ao contrário do que tem sido difundido nas redes sociais. Também é falso que a fotógrafa tenha ficado deprimida por causa desse momento que testemunhou.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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