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Imagem partilhada por Pedro Frazão exibe “carros bem estacionados” que foram multados pela EMEL?

Política
O que está em causa?
O vice-presidente do Chega denunciou, nas redes sociais, a existência de um “local-armadilha” na cidade de Lisboa onde dois automóveis terão sido multados recentemente pela EMEL, apesar de estarem “bem estacionados”, segundo uma imagem por ele partilhada. Porém, trata-se de uma alegação infundada.

“Lisboa é um Município Terrorista! Passa do dia 15 de cada mês e é isto por todo o lado: bloquear carros bem estacionados só para cumprir os objetivos financeiros”, escreveu, na segunda-feira, o deputado Pedro Frazão, do Chega, na rede social X.

A acompanhar a alegação, surge uma imagem que mostra dois automóveis que terão sido bloqueados na cidade de Lisboa – com o vice-presidente do partido citado a tentar passar a ideia de que os mesmos não estariam a violar as regras de trânsito em vigor no local. “Há que confiscar fundos para entregar à edilidade? É isso? VERGONHA!”, escreveu ainda.

O deputado foi imediatamente confrontado por internautas que o acusaram da propagação de desinformação. Ao que Pedro Frazão respondeu, em comentário a uma publicação que questionava a veracidade da afirmação, dizendo que este se trata de um “local-armadilha” e que “até no Google Maps o ‘Street View’ tem um gajo bloqueado no mesmo sítio” – tendo partilhado outra imagem, retirada dessa ferramenta, com vista a reforçar a sua tese.

Mas será que a imagem partilhada pelo deputado exibe, de facto, “carros bem estacionados” que foram multados pela EMEL (Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa)?

Analisando a primeira imagem partilhada pelo vice-presidente do Chega no X é possível constatar que a mesma terá sido captada em frente a um espaço da cadeia de hostéis WOTELS na cidade de Lisboa. Mais concretamente, um estabelecimento localizado nas proximidades de um spa da marca Float In – que, segundo a informação disponibilizada no seu site oficial, conta com dois espaços “no coração de Lisboa”, no Largo do Rato e em Picoas, bem como um terceiro em Belém.

Ora, através de uma pesquisa no Google Maps constata-se que o espaço da Float In localizado em Picoas fica, precisamente, no prédio adjacente àquele onde se localiza o WOT Lisbon Nomad, pertencente à referida cadeia hoteleira, na Rua Pedro Nunes, em Lisboa. E, ainda, que a imagem que surge quando recorremos à ferramenta “Street View” nessa localização foi uma das partilhadas por Pedro Frazão para sustentar a sua tese.  

Mas o que as imagens partilhadas pelo deputado do Chega não mostram é que os dois lugares de estacionamento que ficam em frente a ambos os estabelecimentos citados – e onde os automóveis alegadamente “bem estacionados” foram bloqueados – são destinados a uma finalidade específica. 

É que a sinalização vertical existente no local (C16 – Paragem e Estacionamento Proibidos), prevista no Código da Estrada, informa que a paragem ou estacionamento de veículos são, aí, proibidos. Exceção a esta regra são apenas os casos de “tomada e largada de passageiros” e de “cargas/descargas”, de acordo com a informação apresentada na placa anexa ao sinal colocado na referida localização. 

O parqueamento só é, portanto, autorizado nos lugares que se situam em frente aos dois que suscitaram a discussão, de acordo com o sinal vertical que os antecede (H1a – Estacionamento Autorizado), para veículos ligeiros e desde que mediante o pagamento da referida tarifa “de segunda a sexta-feira, das 9.00H às 19.00H”, informam os indicadores anexos ao mesmo. 

Toda esta informação foi confirmada ao Polígrafo por fonte oficial da EMEL, que começou por explicar que “no âmbito da sua missão realiza ações de fiscalização diariamente na cidade de Lisboa”. Assim, a aplicação de “procedimentos” como os denunciados pelo deputado do Chega, “nomeadamente a identificação, o bloqueio ou o reboque, são ações decorrentes da aplicação do Código da Estrada a veículos em situação de infração, como a identificada na publicação” alvo de análise, assegurou a empresa.

A EMEL confirmou ainda, tal como mencionado anteriormente neste artigo, que a situação reportada ocorreu, de facto, “na Rua Pedro Nunes, em Lisboa”, e que os “lugares alusivos à publicação são de proibição permanente de parar ou estacionar qualquer veículo, com um adicional que exceciona as breves operações de tomada e largada de passageiros e de cargas e descargas, informação descrita no sinal de trânsito de proibição in situ, que antecede esses mesmos lugares”.

Perante estes factos, basta-nos concluir que a narrativa veiculada pelo vice-presidente do Chega nas redes sociais é falsa.

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Avaliação do Polígrafo:

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