"Corre por aí que o meu pai desviou 500 mil euros… Não o fez, não desviou aviões e não roubou bancos", escreveu ontem (31 de janeiro) Rita Matias, deputada do Chega, na sua página no X/Twitter. "Vocês pediram e eu falei sobre isso com o Rui! Assistam", convidou, remetendo para um clip de vídeo de uma sua entrevista a um podcast em que falou sobre o caso do pai.

Em causa está uma imagem - partilhada no mesmo tweet - que retrata uma aparente notícia do jornal "Correio da Manhã" e da Agência Lusa. Nessa notícia destaca-se que "Manuel Matias admite ter desviado 500 mil euros de IPSS" e que os filhos José Maria e Rita Matias "também usufruíram de quantia para despesas pessoais".

Recorde-se que Manuel Matias liderava o partido Portugal Pró-Vida (PPV) que, em 2020, foi absorvido pelo Chega de André Ventura. Posteriormente exerceu as funções de assessor do Chega e a sua filha, Rita Matias, foi eleita deputada pelo mesmo partido em 2022.

Desde essa altura que a imagem da suposta notícia sobre um desvio de fundos por Manuel Matias tem vindo a circular insistentemente nas redes sociais.

De facto, o Polígrafo não encontrou qualquer registo ou vestígio de tal notícia, nem na página do jornal "Correio da Manhã" nem em motores de busca.

Por outro lado, detetou-se uma outra notícia do "Correio da Manhã" sobre Manuel Matias que está ilustrada com a mesma fotografia e apresenta a mesma data e hora de publicação (29 de abril de 2022 às 15h03). Mas o título e conteúdo da notícia é completamente distinto.

Na notícia verdadeira informa-se em título: "Manuel Matias demite-se do cargo de assessor político do Chega." A decisão foi tomada na sequência de uma "denúncia da Transparência Internacional Portugal por ser pai da deputada do partido Ana Rita Matias".

A demissão foi anunciada através de um comunicado do Chega em que se indicava que o assessor quis "evitar quaisquer constrangimentos adicionais ao normal funcionamento do grupo parlamentar, numa altura em que a oposição ao Governo do Partido Socialista tem que ser o foco principal da ação política do Chega", uma vez que estava em causa uma relação de pai e filha "expressamente prevista e proibida pela letra da lei".

O Polígrafo contactou o jornal "Correio da Manhã" e obteve a confirmação de que a suposta notícia de que Manuel Matias teria admitido um desvio de fundos "não está - nem esteve - publicada no CM Online".

Em suma, estamos perante uma falsificação. A imagem de uma notícia verdadeira foi adulterada de forma a difundir uma mentira. Na realidade, em vez de admitir um qualquer desvio de fundos, Manuel Matias simplesmente tinha anunciado, em abril de 2022, a sua demissão do cargo de assessor do Chega, por causa do parentesco com uma deputada eleita do mesmo partido.

_______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.