O holocausto, um dos acontecimentos mais marcantes e terríveis do século XX, é desde sempre inspiração fértil para a produção de desinformação, quer seja sob a forma de pretensos artigos científicos, de falsas notícias ou até de obras cinematográficas deliberadamente fabricadas para atenuar os seus efeitos devastadores.

Há dois anos, uma fotografia de uma caixa cheia com milhares de anéis de casamento foi divulgada pela página de Facebook “Historical Pictures”. Teve um alcance enorme, atingindo milhares de gostos, comentários e partilhas. A imagem, que data alegadamente de 1945, vinha acompanhada da seguinte legenda: “Anéis de casamento removidos às vítimas do holocausto antes de serem executadas. Cada anel representa uma família destruída. Nunca esquecer.”

Foi precisamente neste campo de concentração que esteve o português Luiz Ferreira, um comunista de Braga que combateu na Guerra Civil de Espanha e que esteve envolvido na resistência francesa aos nazis, antes de ser detido e aprisionado, em 1944, em Buchenwald.

Apesar de haver, de facto, uma espécie de “indústria da desinformação” em matéria de holocausto, a fotografia em causa é verdadeira.

Numa rápida pesquisa podemos encontrá-la em notícias ou até mesmo em páginas de museus, como é o caso do norte-americano Memorial do Holocausto, onde é possível ler que as tropas americanas que encontraram estes anéis em 1945, encontraram também outros objetos como relógios, pedras preciosas, óculos ou dentes de ouro.

Num artigo da revista The Atlantic, é possível ler numa das legendas: “Soldado norte-americano inspeciona milhares de anéis de casamento tirados aos judeus pelos alemães e guardados nas Minas de Sal em Heilbronn”. Para reforçar  ainda mais a veracidade da imagem, é importante referir que ela chegou mesmo a ser publicada noutros locais, como na revista da Associação para os estudos judaicos, em 2017.

O site “Truth or Fiction?” tentou traçar a sua origem, recorrendo ao banco de imagens Shuterstock. A foto pertence a judeus que estiveram em campos de concentração, neste caso em Buchenwald, construído em 1937 a cerca de 8 quilómetros a noroeste da cidade de Weimar, na Alemanha.

Foi precisamente neste campo de concentração que esteve o português Luiz Ferreira, um comunista de Braga que combateu na Guerra Civil de Espanha e que esteve envolvido na resistência francesa aos nazis, antes de ser detido e aprisionado, em 1944, em Buchenwald.

Luiz Ferreira acabou por sobreviver à escravatura e aos maus tratos, tendo regressado a Portugal. Com ele trouxe um espólio de documentos e memórias que deixou à guarda da sua sobrinha, Amélia Martins. Muito desse material deu origem a um documentário da RTP.

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