Partilhada no Facebook a 31 de março, a publicação diz apenas "30 mil sacos mortuários Azov em Mariopol" e inclui uma fotografia aérea com a data de 29 de março e a referência "Maxar Technologies, via Associated Press". Na imagem é possível observar alguns edifícios, canteiros, lugares de estacionamento e manchas escuras dispostas em "carreiros".

O autarca de Mariupol já garantiu que mais de 10 mil civis foram mortos na cidade portuária ucraniana desde que ficou sob controlo das forças militares russas. Há várias semanas que a cidade é bombardeada e ontem, pela primeira vez, a Rússia usou mísseis de longo alcance para atacar Mariupol, de acordo com o porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, Oleksandr Motuzyanyk.

Mas será que a imagem mostra, de facto, cadáveres de 30 mil membros do batalhão Azov?

Não. Em primeiro lugar, a imagem aérea não mostra sacos mortuários nem cadáveres. Uma pesquisa reversa da fotografia revela que se trata de uma imagem de satélite capturada pela "Maxar Technologies", uma empresa de tecnologia espacial com base no Colorado, Estados Unidos.

A fotografia, que foi partilhada em sites noticiosos como "NBC News" e "The New York Times", mostra habitantes de Mariupol a fazer fila junto a um supermercado para obter alimentos e bens essenciais. A "Associated Press" também partilhou a imagem de satélite na sua conta no Twitter, a 30 de março, e esclarece que são centenas de pessoas à espera de alimentos.

Por outro lado, o batalhão Azov, uma unidade de combate ucraniana ultra-nacionalista que tem lutado contra os russos na cidade cercada de Mariupol e perto da capital, Kiev.

Estima-se que o grupo, criado em 2014, tenha cerca de mil membros, ou seja, um número muito inferior às supostas 30 mil baixas indicadas na publicação sob análise. Além disso, não foi encontrada qualquer notícia sobre um número de baixas tão elevado do batalhão desde o início da atual guerra.
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